Governador promete o primeiro reajuste do segundo mandato em 2022, mas projeto será aprovado em outubro deste ano pela Assembleia (Foto: Arquivo/Midiamax)

Apenas com um “milagre”, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) vai conseguir recuperar o salário da maior parte dos servidores públicos estaduais, que estão com os salários congelados desde 2018. Além de acumular perdas de até 37%, eles ainda foram penalizados pela reforma da previdência do tucano, que passou a cobrar alíquota de 14% de todos os trabalhadores, inclusive aposentados.

O último reajuste foi de 3,07% em 2018, quando Reinaldo disputou a reeleição e ganhou no segundo turno. A primeira correção linear na gestão do PSDB ocorreu em 2017, quando os salários tiveram correção de 2,94%. Considerando-se os dois mandatos do tucano, o funcionalismo só terá reajuste salarial em três, considerando-se que o governador cumprirá a palavra de dar um reajuste no próximo ano.

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“Tenho compromisso com as categorias de que em outubro encaminharei um grande projeto de lei com reajuste geral e algumas outras novidades que foram pedidas pelos sindicatos e categorias”, anunciou Reinaldo na última sexta-feira (10), conforme o Correio do Estado. ]

O anúncio causou euforia no funcionalismo, sem reajuste nos últimos três anos. “Os servidores aguardam o encaminhamento do projeto para ter ciência do percentual de reajuste geral e o atendimento de outros pleitos. A necessidade das categorias é imensa pois são vários anos sem a reposição inflacionária da remuneração, causando diminuição salarial indireta, agravada ainda mais pela majoração da cobrança previdenciária a partir de 2021, que atingiu mais fortemente os aposentados”, avaliou Leonardo Barros, presidente do Sindijus (Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário) e um dos coordenadores do Fórum dos Servidores.

Ele se referiu à Reforma da Previdência, que elevou a alíquota previdenciária de 11% para 14% dos servidores da ativa e passou a cobrar o percentual máximo dos benefícios pagos aos aposentados e pensionistas. Isso significa que quem trabalhou a vida inteira acabou tendo redução no salário com o desconto de 14%.

Após dois reajustes pífios em 2017 (2,94%) e 2018 (3,07%), o governador vai precisar surpreender para repor a defasagem salarial, agravada com a inflação fora de controle neste ano. De acordo com o IPCA, o índice oficial calculado pelo IBGE bateu 11,43% nos últimos 12 meses em Campo Grande, o 3º maior índice do País.

Para repor as perdas dos policiais civis, o Governo deve anunciar reajuste de, no mínimo, 34% e incorporar o abono de R$ 200 pago em 2016, estima o presidente do Sinpol (Sindicato dos Policiais Civis), Giancarlo Miranda. Ele lembrou que os salários da categoria tiveram reajuste zero no segundo mandato de Reinaldo. Outra reivindicação da categoria é a reestruturação da carreira dos policiais, uma promessa antiga do governador, que ainda não saiu o papel.

“As expectativas são grandes. Se for aumento justo, no mínimo, deve ser de 25%”, prevê Ricardo Bueno, tesoureiro do Sintss (Sindicato dos Trabalhadores em Seguridade Social). No entanto, ele acredita que o governador vai anunciar aumento de 10% a 15%, conforme as informações dos bastidores da administração estadual. Isso significa que a perspectiva é repor um terço da perda salarial contabilizada apenas na gestão de Reinaldo.

“O justo seria repor todas as perdas”, afirmou Otacílio Sakai Júnior, presidente do Sindetran (Sindicato dos Trabalhadores no Departamento Estadual de Trânsito). Ele informou que o total acumulado pelo INPC, considerando-se o período de maio de 2015 a 2021, a defasagem salarial chega a 37,90%.

O Governo ensaiou um reajuste neste ano, mas acabou desistindo após uma nota divulgada pelo presidente do Tribunal de Contas do Estado, conselheiro Iran Coelho das Neves, e do procurador-geral de Justiça, Alexandre Magno Benites de Lacerda, publicaram uma nota recomendando o cancelamento do reajuste.

Para Bueno, a estratégia de Reinaldo é aprovar o projeto em outubro deste ano para entrar em vigor em janeiro para evitar desgaste na campanha eleitoral de 2022, quando tentará emplacar o secretário estadual de Infraestrutura, Eduardo Riedel, como sucessor no Governo.

Servidores estaduais durante protesto contra a reforma administrativa: só tiveram dois reajustes até agora na gestão do PSDB (Foto: Arquivo)