Pesquisa para o Senado foi divulgada hoje pelo Correio do Estado (Foto: Reprodução)

Pesquisa sobre a disputa para o Senado, divulgada hoje, a um ano e sete meses para as eleições de 2018, revela dois favoritos. O juiz federal Odilon de Oliveira deve ganhar força para ser a terceira via e reúne condições para disputar o Governo como favorito. A vice-governadora Rose Modesto (PSDB) deve garantir uma das duas vagas do Senado que estarão na disputa.

A conclusão é com base nos números e no que pode ocorrer nos próximos 19 meses. A pesquisa do Ipems, divulgada pelo Correio do Estado, ouviu 400 pessoas apenas em Campo Grande e tem margem de erro de 4,9%. Apesar do público ser limitado, o levantamento dá um bom sinal porque sonda o maior colégio eleitoral.

Inicialmente, vamos aos números. Odilon lidera a preferência para o Senado, com 41,63%, seguido pelo ex-prefeito Nelsinho Trad (PTB) com 34,95%, Rose com 29,86%, o ex-governador e deputado federal Zeca do PT com 12,39%, o senador Waldemir Moka (PMDB) com 9,44%, o sucessor de Delcídio do Amaral, Pedro Chaves (PSC) com 7,59%, o ex-prefeito de Dourados, Murilo Zauith (PSB) com 4,39% e o secretário estadual de Governo, Eduardo Riedel (PSDB) com 1,48%.

Numa análise simplista, o juiz e Nelsinho ganhariam as duas vagas. Contudo, a política é mais complexa.

Odilon tem chance de repetir a era dos não políticos, como João Dória, prefeito de São Paulo, Pedro Taques, governador do Mato Grosso, e o mais notório de todos, o empresário Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

O eleitor está revoltado com a política e busca um alienígena para votar. Famoso por combater o tráfico sem dó na fronteira e ser ameaçado de morte pelos traficantes, que obrigam a Polícia Federal a escoltá-lo 24 horas por dia, Odilon preenche este requisito de novo, “sem mancha” e como o cara certo para por fim à violência, que vem se sobressaindo nos tempos tucanos.

O atual governador, Reinaldo Azambuja (PSDB), reinventou o governo com a reforma administrativa. Além da fama de só aumentar imposto, ele ainda terá o ônus de elevar a previdência dos servidores, de 11% para 14%, e de não conceder reajuste salarial em quatro anos. O Estado vem sobrevivendo à crise desde que ele assumiu.

Mato Grosso do Sul é uma máquina carente em todos os setores, mas que dispõe de poucos recursos para resolver os problemas de infraestrutura, educação, assistência social e da miséria na fronteira. Reinaldo prepara um pacote de obras, mas que, na prática, só está no sonho e não foi lançado.

Com o tucano fraco, o ex-governador André Puccinelli (PMDB) ganha ares de favorito. No entanto, o peemedebista fica dependente do imponderável, como a Operação Lama Asfáltica, da Polícia Federal. Tem os reflexos da Coffee Break e o andamento da investigação da Lama Asfáltica no MPE.

Neste cenário, o eleitor pode apostar no juiz que desafio o tráfico na fronteira e se tornou alvo constante da mídia nacional.

Os escândalos que ameaçam André também ameaçam Nelsinho, que chegou a ter os bens bloqueados pela Justiça e até foi proibido de sair na rua à noite em um acordo judicial.

Neste cenário, Rose se torna favorita, porque terá o apoio do governo e ainda tem o rescaldo por ter disputado a prefeitura contra Marquinhos Trad (PSD). Ela pode repetir a sina de Reinaldo e Zeca, que perderam a prefeitura e levaram a eleição seguinte. O petista perdeu a prefeitura em 1996 por 411 votos e ganhou o Governo em 1998. O tucano ganhou fama de ter sido alijado do segundo turno por um erro do Ibope em 2012 e surpreendeu o favorito Delcídio do Amaral dois anos depois.

A segunda vaga de senador vai depender das articulações. Uma delas pode beneficiar Pedro Chaves, que prepara uma ofensiva para se tornar mais conhecido nos bairros. Ele aposta no apoio da cunhada, a ex-vereadora Tereza Name, que o apresentará à periferia de Campo Grande.

Chaves pode ser o candidato na chapa de Odilon, que já contou com o apoio da ex-vereadora para eleger o filho, Odilon Junior (PDT) como vereador. Assim, o sucessor de Delcídio e empresário da educação poderia surpreender nas urnas em 2018.

É bom deixar claro, que é uma análise do que pode acontecer. E o futuro só a Deus pertence!