Temer exonera Marun do cargo de ministro e o entrega o prêmio de fim de ano: cargo de conselheiro da Itaipu (Foto: Arquivo)

O presidente Michel Temer (MDB) nomeou Carlos Marun para o cargo de conselheiro na Itaipu Binacional até 16 de maio de 2020. Polêmico defensor do emedebista, denunciado por corrupção e organização criminosa no Supremo Tribunal Federal e indiciado no inquérito dos portos, o sul-mato-grossense ganha extraordinária presente de fim de ano.

Nomeado na vaga de Frederico  Matos de Oliveira, Marun terá salário de R$ 27.061,89 por mês para trabalhar, acredite, uma vez a cada dois meses. Conforme a empresa, gerida pelos governos do Brasil e do Paraguai, o Conselho de Administração realizará seis reuniões anuais.

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Marun foi exonerado do cargo de ministro da Secretaria de Governo nesta segunda-feira e nomeado para o novo cargo. Nesta semana, ele chegou a prever que o atual presidente, o mais impopular da história, poderia superar a popularidade de Luan Santana se tivesse mais tempo no Palácio do Planalto.

Temer compensa Marun com a fidelidade. Ele começou a ganhar notoriedade nacional ao integrar a tropa de choque do então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB), que acabou cassado e está preso em Curitiba a 14 anos por corrupção. A fidelidade era tanta que até chegou a usar verba da Câmara para visitá-lo na cadeia.

Em seguida, Marun passou a atuar como Pit Bull de Temer e acabou assumindo o cargo de ministro. Graças à articulação de Marun, a Câmara rejeitou dois pedidos da Procuradoria-Geral da República para processar Temer por corrupção, organização criminosa e obstrução da Justiça. Os processos voltam a tramitar após o emedebista deixar o cargo de presidente.

Tão impopular quanto Temer em parte da sociedade brasileira, Marun nem quis tentar a reeleição como deputado federal. Inicialmente, ele cogitou integrar o Conselho Nacional do Ministério Público, função que exige imagem ilibada, mas acabou desistindo após a repercussão do seu nome entre os procuradores da República.

Marun recebeu o mesmo prêmio da ex-mulher do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. A advogada Samantha Meyer foi indicada para compor o conselho da Itaipu em dezembro do ano passado. Ela assinou o parecer usado pelo Tribunal Superior Eleitoral para não cassar Temer da acusação de uso de caixa dois na campanha presidencial de 2014.

O cargo de conselheiro é de livre nomeação do presidente da República. No entanto, com amigos no futuro governo de Jair Bolsonaro (PSL), o sul-mato-grossense não deve enfrentar problemas até maio de 2020. Ele sempre esteve do mesmo lado dos futuros ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e da Agricultura, Tereza Cristina.

Como só será obrigado a participar de uma reunião a cada dois meses e receber o salário de R$ 27 mil, Marun poderá manter os planos propagados nos últimos dias, de que pretende tirar férias para descansar.

Marun é investigado na Operação Registro Espúrio, da Polícia Federal, que apura suposta fraude em registros de sindicados no Ministério do Trabalho. Ele nega qualquer irregularidade e ainda pediu a apuração do vazamento de dados do inquérito.

Para o brasileiro irritado com a corrupção e o gasto sem limites da classe política, a nomeação é mamata e tapa na cara. Aos amigos, a nomeação é maravilhosa, porque poderá ajudar Mato Grosso do Sul no projeto de construção da ponte que ligará Porto Murtinho ao Paraguai.

Segue o ritmo da política brasileira… tentando encontrar meios de impor sacrifícios à sociedade para reduzir os gastos públicos.

E Carlos Marun riu por último.

Ex-ministro dançou para comemorar veto da Câmara ao julgamento de denúncia contra Temer (Foto: Arquivo)

Marun deixa MDB e acumulará cargo com o exercício da advocacia

O ex-ministro Carlos Marun renunciou ao mandato de deputado federal, que poderia exercer por 30 dias, para assumir o cargo no Conselho de Administração da Itaipu. Em vídeo, ele conta que vai deixar a vida partidária e voltar a advogar após o período de quarentena.

Pela atual legislação, ele só poderá advogar após cumprir o período de seis meses afastado da Secretaria de Governo. O plano de Marun é voltar a trabalhar como advogado paralelamente à função de conselheiro da estatal binacional.

Ele anunciou que será obrigado a deixar a atividade política por um tempo, porque a função é técnica e já comunicou o seu desligamento do MDB,  presidido pelo amigo, o ex-governador André Puccinelli (MDB).

Para Marun, ele aceitou integrar o conselho porque Itaipu será estratégica para Mato Grosso do Sul. Nos últimos meses, ele se empenhou em obter financiamento da empresa para a construção da ponte sobre o rio Paraguai em Porto Murtinho.