No artigo “Então, é Natal!, a advogada Giselle Marques destaca que quem está vivo, tem motivos para agradecer porque não está entras as 616 mil pessoas que morreram em decorrência da pandemia. “Por isso, há muito o que comemorar. Em especial, o dom da vida. E essa gratidão pode ser expressa por um sentimento, um estado de espírito que resulte em boas ações, análise criteriosa do tempo que passou e planos alvissareiros para o futuro”, diz.

No momento da atual política brasileira, de polarização, e da economia mundial, onde o número de famintos se multiplica aos milhares e a riqueza fica concentrada nas mãos de poucos milionários, ela recorre ao Ato dos Apóstolos para defender que cada estenda mão para ajudar o próximo.

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““Vendiam as suas propriedades e outras coisas e dividiam o dinheiro com todos, de acordo com a necessidade de cada um. Todos os dias, unidos, se reuniam no pátio do Templo. E nas suas casas partiam o pão e participavam das refeições com alegria e humildade” (Atos 2:45-46). Mais à frente, prossegue o livro de Atos: “Não havia, pois, entre eles necessitado algum”, relembra.

“Pensando nisso, cabe uma reflexão sobre como chegamos a esse estado de pobreza da população brasileira. O aumento da mendicância é visível nas ruas. Entre 2018 e 2020, a insegurança alimentar quase dobrou, segundo FAO, ONU e OMS. Atualmente, são cerca de 20 milhões de pessoas famintas no país cujo volume das exportações do agronegócio vem crescendo”, avalia.

Veja o artigo na íntegra:

“Então, é natal!

Giselle Marques

Se você está lendo este artigo, é porque já é uma pessoa vitoriosa. Não está entre os 616 mil brasileiros que partiram em decorrência da COVID 19, desde o início da pandemia. Por isso, há muito o que comemorar. Em especial, o dom da vida. E essa gratidão pode ser expressa por um sentimento, um estado de espírito que resulte em boas ações, análise criteriosa do tempo que passou e planos alvissareiros para o futuro.

Aqueles que professam algum tipo de fé, que comemorem dizendo: amém, sarava, axé, ou aleluia… não importa. Ainda não sabemos se existe uma religião mais correta do que a outra. E talvez nunca o saibamos. Por isso, devemos respeitar os mais diversos caminhos que cada ser humano encontrou para se ligar ao divino, ao etéreo, bem como respeitar as mais diversas formas de amor entre as pessoas, sejam elas do sexo oposto ou não.

Aos Cristãos que militam contra os comportamentos amorosos de outras pessoas, lembrem-se do ensinamento que está em Mateus 7: 3-5: “tira primeiro a trava do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão”.

Na mesma direção, a lição de Romanos 14:13: “Portanto, deixemos de julgar uns aos outros. Em vez disso, façamos o propósito de não pôr pedra de tropeço ou obstáculo no caminho do irmão”. Esse espírito de solidariedade e comunhão, é o que deve nos inspirar neste final de ano.

Afinal, o Natal celebrizou-se e é comemorado no mundo inteiro como sendo a data do aniversário do grande líder espiritual no qual muitos escolheram acreditar: Jesus Cristo. Lendo a Bíblia, há muitos princípios que inspiram a nossa fé. Como, por exemplo, no livro de Atos dos Apóstolos, que retrata como vivia a igreja cristã no momento em que Jesus após ter sido morto e ressuscitado, partiu.

“Vendiam as suas propriedades e outras coisas e dividiam o dinheiro com todos, de acordo com a necessidade de cada um. Todos os dias, unidos, se reuniam no pátio do Templo. E nas suas casas partiam o pão e participavam das refeições com alegria e humildade” (Atos 2:45-46). Mais à frente, prossegue o livro de Atos: “Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos. E repartia-se, segundo a necessidade de cada um”. (Atos 4:34,35).

Pensando nisso, cabe uma reflexão sobre como chegamos a esse estado de pobreza da população brasileira. O aumento da mendicância é visível nas ruas. Entre 2018 e 2020, a insegurança alimentar quase dobrou, segundo FAO, ONU e OMS. Atualmente, são cerca de 20 milhões de pessoas famintas no país cujo volume das exportações do agronegócio vem crescendo.

Segundo dados do governo brasileiro, o complexo soja (em grãos, farelo e óleo), principal setor exportador do agronegócio brasileiro, atingiu divisas de US$ 4,02 bilhões, o que significou incremento de 53,6% em relação aos US$ 2,62 bilhões exportados em agosto de 2020. Essa riqueza está nas mãos de quem? Quem está tendo acesso a ela?

São reflexões a serem retomadas nessa época natalina. Será que ir uma vez por semana à igreja, ao templo, ao seu lugar de oração, é o suficiente para vivermos os ensinamentos do aniversariante?

Em Isaías 29:13 diz o Senhor: “Esse povo se aproxima de mim com a boca e me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.” Que nessa época natalina, possamos de fato nos aproximar mais do aniversariante, revisitando seus ensinamentos, e buscando aprender com eles.

Peço a Deus (e você talvez o peça às forças do universo) que coloque em nossos corações um imenso e cálido amor pelo próximo, pelas nossas florestas, rios e cachoeiras.  Que possamos amar a nossa Casa Planetária, e cuidar com carinho de todas as suas riquezas, as quais devem ser para todas as pessoas.

No Brasil, atualmente, 1% das pessoas mais ricas concentram e usufruem quase 50% da riqueza que aqui produzimos, diz o relatório da Riqueza Global, publicado anualmente pelo Banco Credit Suisse. A desigualdade global (e brasileira) está em níveis recordes e o número de bilionários dobrou na última década.

Como romper esse ciclo? Talvez a resposta esteja no livro de 2 Crônicas 7:14 “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, buscar a minha face e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e curarei a sua terra”.

Visão romântica? Talvez sim. Mas também cristã. Que a presença do Cristo Jesus possa nos guiar neste natal, com decisões que tornem melhor o mundo no qual vivemos. Boas Festas!!”

Giselle Marques, advogada. Evangélica. Doutora em Direito. Pós-Doutora em Meio Ambiente.