Cabo Almi, o deputado fiel às suas origens, morre aos 58 anos na 3ª onda da covid-19

Deputado estadual foi cobrador de ônibus, torneiro mecânico e cabo da PM (Foto: Arquivo)

Em meio ao agravamento da pandemia da covid-19, que volta a mostrar força com a 3ª onda e superlotar leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em Mato Grosso do Sul, morre o deputado estadual José Almi Pereira Moura, o popular Cabo Almi (PT), aos 58 anos de idade. Famoso por ser fiel às suas origens, ele sempre residiu e lutou pelos moradores da mesma região de Campo Grande, onde morava desde que chegou à Capital em 1982.

O parlamentar foi diagnosticado com a doença no dia 5 de maio deste ano e iniciou tratamento ostensivo. No entanto, sem sucesso, acabou sendo internado e intubado no Hospital da Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores de Mato Grosso do Sul).

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Na semana passada, a equipe médica chegou a reduzir a sedação e cogitou extubar o deputado. No entanto, ele acabou não a reagindo e a situação se agravou nesta segunda-feira (24), quando a família passou a pedir orações apostando em milagre. Ele acabou não resistindo e faleceu no final da noite de ontem.

Natural de Jardim Olinda, no Paraná, Cabo Almi passou a morar com a família no distrito de Lagoa Bonita, em Deodápolis (MS). Em 1982, ele mudou-se para o Bairro Alves Pereira, em Campo Grande. De família humilde, ele foi cobrador de ônibus, empacotador e promotor de vendas da indústria de alimentos. Ele formou-se torneiro mecânico pelo Senai.

Almi ingressou como soldado da Polícia Militar em 1983. Cinco anos depois, conseguiu ser promovido a cabo. Ele fundou o Clube 8 de Abril. De acordo com o ex-governador Zeca do PT, em 1996, ele foi convidado para ingressar no Partido dos Trabalhadores, pelo qual foi filiado por toda a vida.

No início da carreira, Cabo Almi, como ficou conhecido, apostou no apoio dos policiais militares para ingressar na política. Em 1996, na primeira disputa, elegeu-se vereador de Campo Grande com 2.975 votos. Quatro anos depois, ele foi reeleito com 4.552 votos. Em 2008, nova vitória ao conquistar 8.032 votos.

Em 2010, Cabo Almi elegeu-se deputado estadual com 20.604 votos. Ele acabou reeleito em duas ocasiões, com 21.195 votos em 2014 e 21.121, em 2018. Mesmo no terceiro mandato de deputado estadual, ele não seguiu o exemplo da maior parte dos políticos, que trocam os bairros da periferia pela área nobre da Capital.

Desde o ano 2000, Cabo Almi morava na mesma rua no Jardim Macapá, na entrada da Cohab Universitária, na saída para São Paulo. “Sempre foi comprometido com a causa dos mais pobres e preocupado com o povo da sua região em Campo Grande”, ressaltou Zeca do PT. “Em nenhum momento, ele perdeu a identidade e seus sonhos”, comentou o ex-governador.

Nas reuniões do PT, o parlamentar defendia a compra de vacinas para acabar com o drama e a angústia dos brasileiros com a covid-19. Ele acabou se transformando em mais um dos 450 mil brasileiros que perderam a batalha para a pandemia.

Cabo Almi é o segundo deputado estadual a morrer em decorrência das complicações da covid-19. O outro foi deputado estadual Onevan de Matos, do PSDB, que morreu na véspera das eleições municipais do ano passado e liderava a disputa para a prefeitura de Naviraí. Ele acabou sendo substituído pela filha, Raíza Matos (PSDB), que acabou sendo eleita prefeita.

Políticos de diversos partidos lamentaram o falecimento de Almi. “Meu Deus, quanta tristeza! O amigo, irmão, guerreiro e companheiro de muitas jornadas, Cabo Almi Pereira Moura perdeu a batalha da vida pra covid e nos deixou! Mais um bom homem que tomba nessa pandemia! Que Deus o receba de braços abertos e conforte sua família e nossos corações”, comentou o ex-senador Delcídio do Amaral (PTB).

“É com profunda tristeza que recebemos a notícia da morte do amigo e aguerrido deputado Cabo Almi, vítima da Covid-19. É uma imensa perda para a Assembleia Legislativa, para a segurança pública e para toda a população sul-mato-grossense, que se despede de um dos mais atuantes deputados estaduais. Cabo Almi deixa um imenso legado de solidariedade, retidão e atuação em defesa dos menos favorecidos”, lamentou o presidente da Assembleia Legislativa, Paulo Corrêa (PSDB). Ele cancelou a sessão desta terça-feira e decretou luto oficial de três dias.

“Com atuação firme em defesa das causas populares, Cabo Almi se tornou uma das principais lideranças políticas em Mato Grosso do Sul, pautando suas ações em plenário com equilíbrio e sensatez. Aos familiares, fica o reconhecimento pelos seus serviços prestados em favor da população sul-mato-grossense”, afirmou o governador Reinaldo Azambuja (PSDB).

“Nesta madrugada fria, acabo de receber a triste notícia do falecimento do meu companheiro de bancada na Assembleia Legislativa, deputado Cabo Almi. Mais uma vítima do Covid-19, sua morte poderia ter sido evitada, caso a vacina tivesse chegado mais cedo para imunizar a população”, lamentou Pedro Kemp (PT).

“Começamos juntos nossa trajetória política, como vereadores de Campo Grande, eleitos em 1996”, relembrou. “Sou testemunha do seu compromisso com os pobres e com os trabalhadores e com a defesa intransigente que fazia do nosso projeto de sociedade mais justa, solidária e democrática. Sempre honrou a confiança que recebeu de seus apoiadores e nunca deixou de levantar a voz para defender os direitos da classe trabalhadora”, afirmou Kemp.

A vaga de Cabo Almi na Assembleia Legislativa ficará com o ex-deputado estadual Amarildo Cruz (PT).

Zeca do PT destacou a preocupação do parlamentar com os mais pobres e os moradores da sua região em Campo Grande (Foto: Arquivo)
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Publicado por
Edivaldo Bitencourt

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