No artigo “O capitalismo evoluído da Magazine Luíza”, o economista e ensaísta Albertino Ribeiro elogia a postura empresarial do grupo liderado pela empresária Luiza Trajano. “Podemos observar, que essa forma equilibrada de enxergar o mundo dos negócios é algo que está no DNA da família Trajano. Coerente com uma visão progressista e responsável, a empresa ganhou protagonismo ao realizar um processo seletivo de Trainee só para negros, visando a alta gerência da empresa”, pontuou.

“Guardando as devidas proporções, é possível comparar Trajano a Robert Owen, empresário britânico, dono de uma tecelagem no século XIX. Owen era considerado um socialista utópico, mas eu discordo! Para mim, ele acreditava – assim como Luíza Trajano -, em um capitalismo mais justo”, compara.

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“Contrapondo-se ao pensamento dominante da época, o bom capitalista abriu creches para os filhos dos trabalhadores da fábrica; construiu alojamento funcionais dignos; reduziu a carga horária diária que na época era extenuante (18 horas) e impediu a contratação de crianças em sua fábrica, pois estas eram vítimas de acidentes e abusos”, relembra, sobre o empresário inglês.

“Por fim, é fundamental que os empresários brasileiros não demonizem o Estado, pois sua atuação é parte da solução. Em muitos casos, como ficou notório durante a pandemia, as políticas públicas e sociais são os respiradores do capitalismo”, conclui.

Confira o artigo na íntegra:

“O capitalismo evoluído da Magazine Luíza

Albertino Ribeiro

Ano passado li matéria na Folha de São Paulo, escrita pela jornalista Paula Soprano, e não pude deixar de elogiar o CEO da Magazine Luíza, Frederico Trajano. No evento promovido na ocasião pelo Banco Credit Suisse, o jovem executivo afirmou que a discussão econômica no Brasil estava muito exacerbada.

“Não acredito muito que nós não vamos ter que ter Estado. Eu pelo menos preciso dele para que meus funcionários trabalhem com segurança, para que eu tenha mais mão de obra qualificada para contratar, [para] não gastar tanto dinheiro com plano de saúde privado”, pontuou.

Podemos observar, que essa forma equilibrada de enxergar o mundo dos negócios é algo que está no DNA da família Trajano. Coerente com uma visão progressista e responsável, a empresa ganhou protagonismo ao realizar um processo seletivo de Trainee só para negros, visando a alta gerência da empresa. Devido a isso, recebeu críticas daqueles que acham que o capitalismo deve ser predador e desumano.

Guardando as devidas proporções, é possível comparar Trajano a Robert Owen, empresário britânico, dono de uma tecelagem no século XIX. Owen era considerado um socialista utópico, mas eu discordo! Para mim, ele acreditava – assim como Luíza Trajano -, em um capitalismo mais justo.

Contrapondo-se ao pensamento dominante da época, o bom capitalista abriu creches para os filhos dos trabalhadores da fábrica; construiu alojamento funcionais dignos; reduziu a carga horária diária que na época era extenuante (18 horas) e impediu a contratação de crianças em sua fábrica, pois estas eram vítimas de acidentes e abusos.

Naquela época, onde o estado era completamente ausente da economia, o industrial – que estava a frente do seu tempo -, já acreditava que seus funcionários, se tratados dignamente, poderiam ser muito mais produtivos.

Sempre haverá conflito entre capital e trabalho, pois é inerente à lógica interna do capitalismo; dependendo de quem governa, o pêndulo se inclina mais para direita ou mais para a esquerda. No governo atual, por exemplo, o pêndulo tem se inclinado para a precarização dos trabalhadores. Trata-se de um grande erro, pois muitos empresários não entendem que existe um mecanismo de retroalimentação na economia capitalista.

Por fim, é fundamental que os empresários brasileiros não demonizem o Estado, pois sua atuação é parte da solução. Em muitos casos, como ficou notório durante a pandemia, as políticas públicas e sociais são os respiradores do capitalismo.”

(*) Albertino Ribeiro é economista, ensaísta e analista de informações socioeconômicas do IBGE