No artigo “Dr. Guedes, o paciente não reage e está sem pulso”, o economista e ensaísta Albertino Ribeiro critica a gestão do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que não está tomando nenhuma medida para conter a escalada da inflação e recuperar a economia. Ele, inclusive, alerta para o risco de se matar a economia e levar o Brasil a uma convulsão social.

“Para os defensores da fisiocracia, só a terra (a natureza) gerava riqueza verdadeiramente. Sendo assim, a economia para funcionar corretamente deveria ser livre como a natureza. Se o homem interviesse no estado natural das coisas, provocaria desequilíbrios”, pontua.

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“No entanto, ironicamente, os supostos fisiocratas modernos chamam de comunistas todos aqueles que defendem a natureza e a ciência. Mais irônico ainda, é saber que o capitalismo – quando entregue as suas leis de movimento –  não dá a mínima para a natureza e nem para a ciência”, escreve.

“Destarte, a economia brasileira não sairá da UTI em que se encontra se a deixarmos entregue a ela mesma, cujas forças de recuperação já não mais existem, pois temos um cenário de baixa demanda, por causa do desemprego e da inação do governo. Para piorar, o Banco Central emite sinais de que vai continuar aumentando a taxa de juros que é mais uma variável que vai suprimir a demanda”, alertou.

Confira o artigo na íntegra:

“Dr. Guedes, o paciente não reage e está sem pulso

Albertino Ribeiro

“O senhor não vai fazer nada, dr.? Nem usar efedrina?”

Os praticantes mais fanáticos da religião neoliberal adoram fazer paralelos entre a economia e a natureza, inclusive, a ideia de que a economia deve ser livre e sem a intervenção do Estado decorre do pensamento dos fisiocratas do século XVIII.

Para os defensores da fisiocracia, só a terra (a natureza) gerava riqueza verdadeiramente. Sendo assim, a economia para funcionar corretamente deveria ser livre como a natureza. Se o homem interviesse no estado natural das coisas, provocaria desequilíbrios.

No entanto, ironicamente, os supostos fisiocratas modernos chamam de comunistas todos aqueles que defendem a natureza e a ciência. Mais irônico ainda, é saber que o capitalismo – quando entregue as suas leis de movimento –  não dá a mínima para a natureza e nem para a ciência.

O principal pensador fisiocrata foi o médico francês François Quesnay. Devido a influência da medicina no seu raciocínio econômico, o pensador comparou os fluxos econômicos à circulação sanguínea do corpo humano. Nada contra! O problema está no risco dos seus discípulos, desavisados, levar isso ao “pé da letra”.

Nesse contexto, a autonomia do Banco Central, o teto de gastos e a livre oscilação nos preços da Petrobras fazem parte desse mesmo arcabouço teórico que pode estar levando a economia brasileira ao estado terminal. E isso tudo porque o Quesnay tupiniquim (Paulo Guedes), devido a questões ideológicas, não quer fazer nada.

E a Efedrina, dr.?

Segundo o site Consultaremedios.com.br, a efedrina é um remédio que ajuda a contrair os vasos sanguíneos, fazendo aumentar a pressão arterial em casos de queda abrupta de pressão. Sendo assim, em casos em que o paciente está sem pulso, o medicamento é utilizado de maneira emergencial para “ressuscitá-lo”.

Destarte, a economia brasileira não sairá da UTI em que se encontra se a deixarmos entregue a ela mesma, cujas forças de recuperação já não mais existem, pois temos um cenário de baixa demanda, por causa do desemprego e da inação do governo. Para piorar, o Banco Central emite sinais de que vai continuar aumentando a taxa de juros que é mais uma variável que vai suprimir a demanda.

O Estado, nesse momento crítico, precisa resgatar o protagonismo e salvar a economia restabelecendo o seu dinamismo. O governo poderia iniciar os procedimentos combatendo as verdadeiras causas da inflação, a saber: dólar alto, preço dos combustíveis e da energia elétrica.

Pelo menos nesse momento, devemos atacar as duas primeiras variáveis que, associadas, provocam uma cascata inflacionária que está contaminando toda a atividade econômica.

Parece que no estado atual, em que a pandemia ameaça a todos, os únicos que estão imunes à falência múltipla da economia são o agronegócio e os acionistas da Petrobras. Manter esse tipo de “equilíbrio” enganoso seria o caminho mais curto para matar nossa economia e levar o Brasil a uma convulsão social.

É Guedes, você não é um bom doutor!”

(*) Albertino Ribeiro é economista, ensaísta e analista de informações socioeconômicas do IBGE