No artigo “Inflação brasileira: o dragão que se alimenta na boca de Bolsonaro”, o economista e ensaísta Albertino Ribeiro fala da volta do aumento do custo de vida ao dia-a-dia do brasileiro. Além de enumerar as causas, como alta do dólar, disparada no preço dos combustíveis e energia elétrica, ele atribui a volta da inflação a instabilidade causada pelas declarações polêmicas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“A situação tende a piorar, pois a crise política – que tem relação direta com a alta do dólar -, não arrefecerá, pois Bolsonaro é um poço sem fim que transborda, pela boca, o caldo da instabilidade”, alerta.

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“Devido a isso, o câmbio continuará pressionando a inflação e, dessa forma, alimentará o dragão, fazendo-o alçar voos cada vez maiores”, prevê, para desânimo da sociedade. Até a implantação do Plano Real, em 1994, na gestão do presidente Itamar Franco (MDB), a inflação era o maior problema do brasileiro.

“Alheio aos acontecimentos, o presidente da República, para agitar a sua horda, mente ao dizer que os combustíveis estão caros por causa dos governadores que não querem reduzir o ICMS. Como se não bastasse, outra mentira propagada por Bolsonaro é de que a inflação é fruto da campanha do “fique em casa”. Nada mais falso e desinformativo! Paulo Guedes sabe muito bem disso”, pontua, criticando o inquilino do Palácio do Planalto sem nenhum rodeio.

Confira o artigo na íntegra:

“Inflação brasileira: o dragão que se alimenta na boca de Bolsonaro

Albertino Ribeiro

A inflação tem dados sinais que não vai desacelerar, mesmo com o Banco Central aumentando a taxa de juros Selic, que hoje está em 5,25% a.a.. O que alimenta o dragão não é o excesso de demanda, mas choque de oferta por causa do elevado custo das commodities e pela alta do dólar.

Uma das commodities que tem impacto direto nos itens da inflação é o petróleo. Com a política de preços praticada pela Petrobras desde o início do governo Bolsonaro, o preço dos combustíveis flutua de acordo com a cotação internacional do petróleo e da variação do câmbio que, inclusive, tem sido o principal fator de aumento da gasolina e do diesel.

O aumento dos combustíveis tem sido um dos assuntos mais falados pela população. A               gasolina, por exemplo, alcançou o valor de R$ 7 o litro em alguns postos de combustíveis pelo País. Em Campo Grande, segundo o Midiamax de 25 deste mês, o combustível aumentou de R$ 4,49, no mês de janeiro, para R$ 6,43, aumento acumulado de 30,17%.

Os combustíveis, que tem peso importante no grupo de transportes do IPCA – índice oficial calculado pelo IBGE -, age como espécie de correia de transmissão inflacionária, impactando os custos das cadeias produtivas e refletindo no bolso do trabalhador, a maior vítima da inflação.

Destarte, com o dólar apreciado, outros itens importantes cuja cotação é dolarizada – soja, milho, trigo e ferro, por exemplo -, também são afetados, contribuindo, assim, para a propagação do fenômeno inflacionário.

Outro fator que tem impactado nos preços dos produtos é a energia elétrica que ficou mais cara por causa da escassez de água nos reservatórios. A bandeira vermelha, patamar 2, tem sido a grande vilã nos últimos três meses. Contudo, a situação só não está pior porque a economia permanece estagnada; caso contrário, já estaríamos vivendo o apagão.

Alheio aos acontecimentos, o presidente da República, para agitar a sua horda, mente ao dizer que os combustíveis estão caros por causa dos governadores que não querem reduzir o ICMS. Como se não bastasse, outra mentira propagada por Bolsonaro é de que a inflação é fruto da campanha do “fique em casa”. Nada mais falso e desinformativo! Paulo Guedes sabe muito bem disso, mas, assim como o ministro da Saúde, Queiroga, abriu mão da ética profissional e diluiu a personalidade a do seu ídolo, criando uma amálgama entre o inútil e o desagradável.

Segundo Guedes, a inflação está sob controle. Entretanto, o IPCA-15 teve a maior alta em 19 anos. Em algumas cidades como Curitiba, por exemplo, o acumulado dos últimos 12 meses alcançou os dois dígitos, chegando a 11,47%. Campo Grande, por sua vez, tem um dos índices acumulados mais altos, uma taxa de 11,43%, bem acima da meta do Banco Central que é de 3%.

A situação tende a piorar, pois a crise política – que tem relação direta com a alta do dólar -, não arrefecerá, pois Bolsonaro é um poço sem fim que transborda, pela boca, o caldo da instabilidade.

Devido a isso, o câmbio continuará pressionando a inflação e, dessa forma, alimentará o dragão, fazendo-o alçar voos cada vez maiores.  E se nada for feito: inflação acima de tudo; miséria acima de todos.”

(*) Albertino Ribeiro é economista, ensaísta e analista de informações socioeconômicas do IBGE