No artigo “Carga pesada: Triste fim de Zé Trovão e Policarpo Quaresma”, o economista e ensaísta Albertino Ribeiro analisa de forma crítica e contundente o papel do caminhoneiro Zé Trovão nos protestos de 7 de Setembro. “O 7 de setembro foi frustrante para aqueles que esperavam um golpe militar comandado por Jair Bolsonaro (sem partido). Dentre os frustrados, está uma figura até então pouco conhecida no cenário político brasileiro: Zé Trovão”, pontua.

“Em um de seus vídeos, Zé trovão convoca o povo para as manifestações, dizendo que ‘o comunismo está entrando no País e que a China está tomando conta’. O caminhoneiro continua seu discurso dizendo que não quer ser escravo da China”, afirma Ribeiro.

Veja mais:

Fim de direitos trabalhistas torna País menos competitivo e não cria empregos, diz economista

Inflação segue fora de controle e é alimentada pelas polêmicas de Bolsonaro, alerta ensaísta

Ministro da Educação é “reacionário” e tem “ranço” ao limitar universidade, diz ensaísta

“Podemos ver no discurso, um completo desconhecimento da conjuntura econômica e geopolítica, pois o fato da potência oriental ser o principal parceiro comercial brasileiro e ter investimentos no Brasil é consequência do próprio capitalismo e do livre fluxo de mercadorias e de capitais (neoliberalismo)”, explica.

“Puxa! Ninguém explicou ao Zé Trovão que a parceria entre a China e os EUA é bem maior que a do Brasil?”, critica. Em seguida, o economista cita dados das exportações chinesas para o Brasil e os Estados Unidos.

“Para piorar a situação do nosso Zé, na última quinta-feira – dia da carta “arregatória” – Bolsonaro se reuniu online com os países que compõem os BRICs (Brasil, Rússia, índia e China + África do Sul) e teceu elogios à China, afirmando a importância da parceria entre os dois países”, afirma.

Confira o artigo na íntegra:

“Carga pesada: Triste fim de Zé Trovão e Policarpo Quaresma

Albertino Ribeiro

O 7 de setembro foi frustrante para aqueles que esperavam um golpe militar comandado por Jair Bolsonaro (sem partido). Dentre os frustrados, está uma figura até então pouco conhecida no cenário político brasileiro: Zé Trovão.

O caminhoneiro Joinvilense é mais um membro da horda bolsonarista que tem sido massa de manobra dos conspiradores de Brasília. São pessoas que não tem formação alguma e, devido a isso, tornam-se vulneráveis às teorias conspiratórias mais estapafúrdias criadas pelas milícias digitais do governo.

Em um de seus vídeos, Zé trovão convoca o povo para as manifestações, dizendo que “o comunismo está entrando no País e que a China está tomando conta”. O caminhoneiro continua seu discurso dizendo que não quer ser escravo da China.

Podemos ver no discurso, um completo desconhecimento da conjuntura econômica e geopolítica, pois o fato da potência oriental ser o principal parceiro comercial brasileiro e ter investimentos no Brasil é consequência do próprio capitalismo e do livre fluxo de mercadorias e de capitais (neoliberalismo). Puxa! Ninguém explicou ao Zé Trovão que a parceria entre a China e os EUA é bem maior que a do Brasil?

Para o leitor entender, enquanto o Brasil exportou, em 2020, US$ 67,685 bilhões para o dragão asiático, importou somente US$ 34,042 bilhões. Por sua vez, o valor das exportações chinesas para a Meca do capitalismo (EUA) foi de US$ 526 bilhões. Além disso, a China é o maior credor estrangeiro da dívida pública americana, US$ 1,07 trilhão.

Para piorar a situação do nosso Zé, na última quinta-feira – dia da carta “arregatória” – Bolsonaro se reuniu online com os países que compõem os BRICs (Brasil, Rússia, índia e China + África do Sul) e teceu elogios à China, afirmando a importância da parceria entre os dois países.

Está vendo, Zé Trovão? Enquanto você se expôs, arriscando sua liberdade por ameaçar às instituições, achando que a China é o grande problema do Brasil, o seu líder rasgava elogios aos chineses.

Por fim, nosso patriota, a exemplo de Policarpo Quaresma, personagem de Lima Barreto, teve sua prisão decretada por ter sido mais uma vítima da própria ignorância. Ignorância esta que foi mais uma vez utilizada, de forma desonesta, pelo presidente da República com objetivo de atender aos seus interesses golpistas.”

(*) Albertino Ribeiro é economista, ensaísta e analista de informações socioeconômicas do IBGE