Operação Balcão de Negócios do Gaeco: 16 presos e 11 mandados de busca contra organização criminosa que tinha o apoio de policiais (Foto: JNE)

O envolvimento de policiais com o tráfico de drogas é antigo em Mato Grosso do Sul, como mostram documentos do SNI (Serviço Nacional de Inteligência), revelados nesta segunda-feira (8) pelo The Intercept Brasil. O mais grave é que continua, como pode ser constatado pela Operação Balcão de Negócios, deflagrada hoje pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado).

Os dois casos envolvem o tráfico de cocaína, que é vendida a R$ 20 mil o quilo na região Sudeste, mas alcança mais de R$ 70 mil na Europa.

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Nem a Ditadura Militar, que comandou o Brasil por 21 anos, de 1964 a 85, conseguiu reprimir a ação dos traficantes. Relatório confidencial do SNI, atual Abin (Agência Brasileira de Inteligência) – que se tornaram públicos em 2005, por determinação do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – aponta que o Estado era corredor livre para o tráfico de drogas e armas.

A cocaína entrava no País pela fronteira de Corumbá com a Bolívia, onde a Polícia Federal se limitava a fiscalizar a entrada de estrangeiros no início dos anos 80. Na época, a delegacia só funcionava em horário comercial e os estrangeiros tinham livre acesso ao Estado.

De acordo com o relatório do SNI, na época, cinco policiais militares, sendo dois sargentos, dois soldados e um cabo, estavam envolvidos com o tráfico de cocaína. No chamado Batalhão de Caçadores, conforme o serviço reservado do Exército, três militares davam cobertura à organização criminosa.

O relatório do SNI aponta até o envolvimento de delegados e agentes da Polícia Civil da Capital com o tráfico de drogas e contrabando.

Em meados dos anos 80, para intimidar o trabalho de policiais federais, os criminosos atearam fogo ao veículo de um agente da PF. Até viaturas da corporação foram incendiadas.

Quase quatro décadas depois, a Operação Balcão de Negócios, do Gaeco, mostra que a prática persiste. Entre os 16 mandados de prisão cumpridos nesta segunda-feira, dois eram contra policiais civis.

O Gaeco prendeu os agentes Gil Emerson Vasconcelos Santana e Paulo César dos Reis, que trabalham na 1ª Delegacia da Polícia de Aquidauana, a 130 quilômetros da Capital, de onde sumiu 101 quilos de cocaína. A droga está avaliada em R$ 2 milhões.

A operação de hoje apura o envolvimento de organização criminosa no sumiço da droga. O delegado Éder Oliveira Moraes foi preso no dia 24 de junho deste ano acusado de ter trocado de lado. Ao invés de caçar os criminosos, conforme a Delegacia Geral de Polícia Civil, ele se juntou aos bandidos.

O sumiço da carga de cocaína já tinha levado 11 pessoas à prisão no mês passado. O delegado geral Marcelo Vargas até determinou uma intervenção na unidade de Aquidauana para descobrir o alcance da organização criminosa.

Preso no Presídio Federal de Mossoró, subtenente está sendo julgado acusado de chefiar organização criminosa na fronteira (Foto: Arquivo)

Além dos 12 mandados de prisão preventiva e quatro temporária, o Gaeco cumpre 11 mandados de busca e apreensão. O objetivo é desbaratar organização criminosa dedicada ao tráfico de drogas, armas e corrupção policial.

Em maio do ano passado, a Operação  Oiketicus, do Gaeco e da Corregedoria da PM, prendeu 28 policiais militares envolvidos com a Máfia do Cigarro. Em troca de propina, eles davam cobertura ao contrabando de cigarro paraguaio. A maioria dos militares foi julgada e condenada pela Auditoria Militar Estadual.

A Operação Laços de Família, da PF, prendeu os integrantes da Máfia da Fronteira, chefiada pelo subtenente da PM, Silvio Cezar Molina Azevedo, que dava cobertura à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).