Músico nega ligação com a máfia da fronteira, mas interceptações mostram até que ele angariava transportadores para a droga (Foto: Arquivo)

A Justiça Federal manteve a prisão preventiva do músico Thyago Rodrigo de Souza, acusado de negociar veículos, imóveis e drogas para a organização criminosa chefiada pelo subtenente da Polícia Militar, Silvio César Molina Azevedo. Conforme a Polícia Federal, ele contou com a ajuda da máfia da fronteira para ir para a Itália, onde está matriculado em uma universidade e vive desde 2016.

A defesa de Thyago pediu a revogação da prisão preventiva porque ele possui residência fixa e legal na Itália. O músico diz que a PF não provou a sua participação delituosa nos crimes e ele mantinha apenas relações de amizade com os acusados de integrar a quadrilha presa na Operação Laços de Família.

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O Ministério Público Federal refuta as alegações da defesa, porque várias interceptações telefônicas mostram a ligação de Thyago com Jefferson Molina, filho de Silvio executado em junho do ano passado.

Em várias gravações,o músico mostra intimidade com o jovem e revela as comissões que recebia na venda de carros e imóveis para a organização criminosa. A venda de apartamento a beira mar em Santa Catarina, avaliado em R$ 550 mil, lhe renderia R$ 20 mil em comissão.

De acordo com relato do juiz, quando a quadrilha perdeu cinco toneladas de maconha em uma apreensão, Thyago foi encarregado para revender veículos no Paraná para recapitalizar o grupo.

Confira trecho da conversa transcrita pelo juiz:

THYAGO: Ô, pensa a cobertura, mano! Eu vou te mostrar! Amanhã te mostro o vídeo. Vai tomar no cu, 360 metros, toda mobiliada, móveis novinhos, beira-mar.

JEFF (Jefferson Molina): É, isso depois nós ver. Cuidar disso aí não. Beleza? Fala pra ele esse negócio do carro ai que, é isso que eu falei pra você. Do carro eu sabia que o cara não ia pagar por causa disso. O cara não me conhece. Não tá com o recibo na mão eu também não ia pagar o carro não.

THYAGO: (Risos) Não, mas amanhã de manhã nós já resolvemos isso aí.(…)

THYAGO: Os 38, 40 (38/40 mil reais) ele já vai fazer na hora. Amanhã de manhã.

JEFF: Então. Faz amanhã e o restante nós ajeita o documento dele aqui e depois ou ele manda um cheque à vista por você ou…(…)

Em uma interceptação, o rapaz fala sobre como recrutaria um transportador de droga. Em outra ligação, o músico conta que a organização criminosa fazia entrega de cocaína com a utilização de helicóptero.

Quando embarcou para a Milão, em 1º de julho de 2016, ele mostra cautela nas conversas ao telefone, o que, conforme a PF, indica já ter conhecimento da quebra do sigilo.

O juiz Bruno Cezar da Cunha Teixeira, da 3ª Vara Federal, manteve a prisão preventiva. Ele ainda descarta impor medidas cautelares em troca de eventual colaboração premiada, que previa a apreensão do passaporte, apresentação mensal ao juízo e proibição de se ausentar do País.

Para o magistrado, a proposta não é viável, porque o músico ficaria próximo da fronteira e poderia pegar novo passaporte no Paraguai. Como ele possui naturalidade italiana, a Justiça teria dificuldade em obter a extradição, porque a Itália não prevê a medida para os seus cidadãos.

“É induvidoso que o crime organizado causa sérios abalos à paz social, sendo fortes os indícios do envolvimento destes investigados em organização criminosa ainda em pleno funcionamento”, destaca o juiz, para manter a prisão preventiva do grupo.

A Operação Laços de Família focou na máfia de Mundo Novo que daria suporte ao PCC (Primeiro Comando da Capital), organização criminosa surgida nos presídios de São Paulo.

PF quer usar helicópteros no combate ao tráfico na fronteira

A Polícia Federal pretende usar três helicópteros apreendidos na Operação Laços de Família para usar no combate ao narcotráfico na fronteira de Mato Grosso do Sul para o Paraguai. No total, a operação apreendeu oito aeronaves.

O pedido de cedência de três aeronaves foi encaminhado pela PF à Justiça Federal. Antes de analisar o pedido, o juiz federal Bruno Cezar da Cunha Teixeira, pediu a manifestação do Ministério Público Estadual.

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) informou que houve a restrição de oito aeronaves. Um dos helicópteros foi usado na execução de Gegê do Mangue e de Paca, no Ceará, em fevereiro do ano passado. Os crimes teriam sido encomendados pelo PCC.

Uma das oito aeronaves apreendidas na operação: três podem ser usadas no combate ao tráfico (Foto: Arquivo)