Desembargadora deve ser eleita e assumir comando do Tribunal de Justiça a partir de 2019: operação flagra conversa em que negocia cargo com oficial da PM preso em ação contra a corrupção (Foto: Arquivo)

A imagem da desembargadora Tânia Garcia de Freitas Borges, favorita para assumir o comando do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, já não era boa com a história envolvendo o filho, preso com armas e drogas. Agora, a presidente do Tribunal Regional Eleitoral é citada em na Operação Oiketicus, que investiga o envolvimento de policiais militares com a Máfia do Cigarro.

Reportagem do site Campo Grande News revela que a magistrada emitiu cheque no valor de R$ 165 mil para o tenente-coronel Admilson Cristaldo Barbosa, acusado de ser um dos chefes da banda do grupo de policiais envolvidos com os cigarreiros.

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O mais estarrecedor, segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial na Repressão ao Crime Organizado), mensagens em celular apreendido mostram negociação entre Tânia Borges e o oficial da PM.

Certa da eleição para comandar o Poder Judiciário a partir de 2019, a desembargadora negociou com Admilson a sua nomeação para chefe da segurança do TJMS. Os promotores não possuem dúvidas da negociação.

Já o cheque de R$ 165 mil, conforme o tenente-coronel, seria para o pagamento de um Jeep Grand Cherokee, que ele vendeu para a presidente do TRE. No entanto, conforme o Gaeco, o carro ainda segue para a venda em uma garagem da Capital.

Comandante da PM em Jardim, conforme o Campo Grande News, Admilson Cristaldo seria um dos chefes do esquema envolvendo PMs e a liberação de carretas de cigarros.

A quebra dos sigilos do tenente-coronel mostra uma vida de ostentação, como o gasto com veículos e motos de luxo. Em viagem ao Rio de Janeiro, segundo o Gaeco, ele gastou R$ 8 mil em duas noites.

Não é a primeira denúncia envolvendo a desembargadora. Em 8 de abril do ano passado, o seu filho, o empresário Breno Fernando Solon Borges, foi preso pela Polícia Rodoviária Federal na BR-262 com 129 quilos de maconha, munições de fuzil 762 e uma pistola nove milímetros.

Para soltar o empresário, Tânia o interditou judicialmente ao alegar que ele sofria do transtorno de personalidade Bordeline e seria usuário de drogas. O Tribunal de Justiça autorizou a internação, mas Breno voltou para a cadeia em novembro passado em outro processo.

Ele é acusado de integrar organização criminosa, conforme investigação da Polícia Federal. O empresário teria ido a Três Lagoas para ajudar o chefe da facção, Tiago Vinícius Vieira, a fugir do presídio da cidade. Em interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça, os policiais flagraram Breno negociando armas de grosso calibre com bandidos.

Tiago conseguiu fugir da Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande no mês passado. Ele e Breno podem ser condenados por integrar a mesma organização criminosa pela 2ª Vara Criminal de Três Lagoas. Breno segue preso, por enquanto.

Tânia Garcia se tornou ré por improbidade administrativa por usar carro e estrutura da Polícia Civil para buscar o filho em Três Lagoas em julho do ano passado. Ela nega a irregularidade. Pelo mesmo caso, é investigada pelo Conselho Nacional de Justiça.

Até o momento, ela  não se manifestou sobre a denúncia envolvendo o tenente coronel da PM.