O juiz Roberto Ferreira Filho, da 1ª Vara Criminal de Campo Grande, negou pedido da defesa para a retirada da tornozeleira eletrônica do empresário Fahd Jamil, conhecido como Rei da Fronteira. Acusado de chefiar um grupo de extermínio na fronteira e réu por organização criminosa e corrupção, ele permanece em prisão domiciliar, mas poderá receber a visita da filha sem qualquer restrição.

O despacho do magistrado no processo, que tramita em sigilo, foi publicado nesta quinta-feira (24) no Diário Oficial da Justiça. “ISTO POSTO e mais o que dos autos consta, defiro parcialmente o requerimento formulado pela defesa de Fahd Jamil, às fls. 960/965, para: a) INDEFERIR o requerimento de retirada do equipamento de monitoração eletrônica”, determinou Ferreira Filho.

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Por outro lado, ele acatou o pedido do advogado André Borges referente uma das visitas. “AUTORIZAR o acesso da filha do requerente, Fabiane Escobar Jamil Georges, à residência em que é cumprida a prisão domiciliar cautelar, fora das limitações anteriormente fixadas (e que permanecem vigentes em relação a todas as outras pessoas, devendo a defesa do requerente continuar informando acerca de outras visitas)”, afirmou o juiz.

Fahd Jamil cumpre prisão domiciliar em um apartamento no Centro de Campo Grande após comprovar, mediante perícia médica, que possui graves problemas de saúde para ficar detido em um presídio ou na cela do Garras. Ele foi alvo da Operação Armagedon, denominação da 3ª fase da Omertà.

Réu pelos crimes de tráfico de armas, corrupção, organização criminosa e pela execução do chefe da segurança da Assembleia Legislativa, Ilson Martins Figueiredo, Fahd está preso desde 19 de abril do ano passado, quando se apresentou espontaneamente.

Um dos mais enigmáticos empresários da história de Mato Grosso do Sul, Fahd Jamil chegou a ser preso nos anos 80 durante a Ditadura Militar por contrabando de café pela Polícia Federal. No entanto, na ocasião, ele foi recepcionado em Curitiba pelo então governador do Estado, Pedro Pedrossian,  que viajou à capital paranaense como sinal de desagravo pela prisão do empresário.

Nos anos 90, ele foi condenado a 20 anos por tráfico internacional de drogas pelo juiz federal Odilon de Oliveira, então na 3ª Vara Federal de Campo Grande. Na ocasião, ele ficou foragido por dois anos e meio até a prisão ser revogada pelo Superior Tribunal de Justiça. O Tribunal Regional Federal da 3ª Região acabou anulando a sentença e absolvendo Fahd dos crimes.

Agora, graças a Operação Omertà, deflagrada por uma força-tarefa chefiada pelo Garras, ele voltou a ser acusado de tráfico de armas, de corrupção e comandar um grupo de extermínio na fronteira.