Ao lado do compadre e do afilhado, Fahd Jamil se entregou na manhã de hoje no Garras (Foto: Arquivo)

Foragido há 10 meses, o poderosíssimo empresário Fahd Jamil, conhecido como “rei da fronteira”, apresentou-se, na manhã desta segunda-feira (19), ao Garras (Delegacia de Repressão a Assaltos a Bancos, Roubos e Sequestros). Em nota, ele afirma que está “sob perseguição de criminosos” e vive sendo “sustentado pelos filhos”.

Réu na Operação Omertà por corrupção, organização criminosa, tráfico de armas e de mandar executar o chefe da segurança da Assembleia Legislativa, sargento da Polícia Militar Ilson Martins Figueiredo, o empresário teve a prisão preventiva decretada em junho de 2020, quando foi deflagrada a Operação Armagedon, denominação da 3ª fase da Omertà.

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Esta é a segunda vez na vida que o empresário é preso. A primeira foi nos anos 80 pela Polícia Federal por contrabando de café. Nos anos 2000, ele chegou a ser condenado a 20 anos de prisão por tráfico de drogas pelo juiz Odilon de Oliveira, da 3ª Vara Federal de Campo Grande, e ficou foragido por mais de dois anos. A prisão foi revogada pelo Superior Tribunal de Justiça, enquanto a sentença foi anulada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região.

Desta vez, por ligações com os empresários Jamil Name, 81 anos, e Jamil Name Filho, 43, Fuahd Jamil, como é conhecido, teve a prisão preventiva decretada pelo juiz Marcelo Ivo de Oliveira, da 7ª Vara Criminal de Campo Grande. Como ele estava foragido, os pedidos de habeas corpus e conversão em prisão domiciliar foram negados pelo juízes de primeira instância, pela 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça e pelo STJ.

“Sou homem idoso, doente e sob perseguição de criminosos”, afirma o empresário, em nota divulgada pelos advogados André Borges e Gustavo Badaró. A perseguição pode ser do PCC  (Primeiro Comando da Capital). A facção paulista, que controla os presídios, iniciou ofensiva contra Fahd Jamil na fronteira, inclusive com assassinatos de seus sobrinhos.

“Estou aposentado e vivo sustentado pelos filhos”, garante o empresário, acusado de ser um dos homens mais ricos e influentes de Ponta Porã. “É bastante divulgado que sempre colaborei para o equilíbrio da segurança da fronteira”, diz. “Minha história de vida revela permanente respeito e colaboração com as autoridades em geral, pela importância das atribuições que elas exercem”, assegura.

“Por isso tudo, pretendo zelar pelos meus direitos nos processos em curso, tomei a decisão de me apresentar na unidade local do Garras, em mais uma atitude de consideração pelos poderes públicos”, anunciou.

O Jacaré apurou com a defesa do empresário que ele já está na sede do Garras. Fahd Jamil e o filho, Flávio Corrêa Jamil Georges, são acusados de comandar um grupo de extermínio na fronteira. Eles teriam se aliado a família Name para vingar a morte do filho, Daniel Georges, que teria sido assassinado após desaparecer de dentro de um shopping de Campo Grande.

Nos pedidos de liberdade, o empresário alegou a idade avançada, 79 anos, e problemas de saúde, como a necessidade de respirar com a ajuda de oxigênio. Ao se apresentar, ele dá o primeiro passo para entrar com novo pedido de conversão da prisão preventiva em domiciliar.

Confira a nota na íntegra:

“Sou homem idoso, doente e sob perseguição de criminosos.

Estou aposentado e vivo sustentado pelos filhos.

Não tenho antecedentes criminais (certidão negativa).

É bastante divulgado que sempre colaborei para o equilíbrio da segurança da fronteira.

Minha história de vida revela permanente respeito e colaboração com as autoridades em geral, pela importância das atribuições que elas exercem.

Por isso tudo, pretendo zelar pelos meus direitos nos processos em curso, tomei a decisão de me apresentar na unidade local do Garras, em mais uma atitude de consideração pelos poderes públicos.

Doravante meus advogados Gustavo Badaró e André Borges falam por mim e me representam”.