Sindicato dos Trabalhadores em Enfermagem criticou “assédio e violência” nos postos, fazendo referência a atitude de vereador (Foto: Álvaro Rezende)

O Coren-MS (Conselho Regional de Enfermagem) e o Sindicato dos Trabalhadores em Enfermagem de Campo Grande criticaram o vereador Tiago Vargas (PSD) pelo suposto “assédio” e violência contra os profissionais das unidades de saúde de Campo Grande. Até outdoors foram espalhados pela cidade em defesa dos enfermeiros. O parlamentar reagiu e disse que os trabalhadores devem respeitar a população para serem respeitados.

A polêmica começou na noite de Ano Novo (1º), quando o vereador foi até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Bairro Universitário, que estava lotada. Pacientes estavam indignados com a demora no atendimento. Em meio a bate boca, Vargas acabou anunciando a prisão da enfermeira, coordenadora da unidade, e a encaminhou até a delegacia da Polícia Civil.

Veja mais:

Vereador viraliza ao “fiscalizar” UPA e levar coordenadora à polícia na noite de Ano Novo

Desembargador mandou tirar vídeo porque não havia motivo para xingar Reinaldo de corrupto

Tribunal manda tirar do ar vídeo em que vereador chama Reinaldo de “bandido, canalha e corrupto”

Campeão de votos, vereador usou medicamentos e recorreu a fé para vencer a depressão

O sindicato enviou nota à Câmara Municipal para deixar claro o descontentamento com o parlamentar. “Nos queixar quanto a forma como vem sendo conduzida a fiscalização pelo indigitado vereador, pois o mesmo, no afã de exercer seu consagrado múnus público tem tratado de forma hostil e desrespeitosa toda a equipe de saúde por onde ocorrem as aludidas visitações, proferindo impropérios tendo como destinatários profissionais de saúde”, afirmou na nota, que foi divulgada pelo jornal Correio do Estado.

“Não bastando essa conduta bastante lesiva ao profissionais de saúde, o mesmo ainda busca as redes sociais para manchar a imagem de trabalhadores, reputando-os, sem base em qualquer indício, como ‘maus profissionais’, agindo como o portador da verdade absoluta e com competências irrestritas para difundir julgamentos acerca da qualidade funcional de trabalhadores que sequer, algum dia, responderam, em sua vida profissional e pessoal, por quaisquer malfeitos”, afirmou.

Além da carta ao legislativo, o Sinte publicou outdoors na cidade com o slogan “Respeitem a Enfermagem”. Além disso, a entidade acrescentou “basta de assédio e violência” e “cobrem dos gestores a responsabilidade sobre o problema na saúde”.

O Coren-MS divulgou nota para anunciar a abertura de procedimento para apurar o ocorrido na UPA. O conselho cobrou providências da Secretaria Municipal de Saúde para evitar “atentados” contra os profissionais de saúde.

“Um ofício foi protocolado junto à Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (Sesau), pedindo para que seja observada a exposição dos profissionais de enfermagem às violências e outras violações de direitos em seus postos de trabalho”, informou o conselho.

Tiago Vargas afirmou que a reação das entidades não o intimidará e manterá o “trabalho de fiscalização”. “O meu compromisso não é com A ou B, mas com a população”, ressaltou. Ele disse que respeita os profissionais de enfermagem.

No entanto, o vereador pondero que há profissionais de saúde, poucos, mas há, que não respeitam os pacientes e são mal-educados durante o atendimento nas unidades de saúde. “Se quiserem ser respeitados, que respeitem a população e se deem ao respeito”, aconselhou o vereador.

O presidente do Sinte, Ângelo Macedo, ressaltou que o outdoor não foi apenas por causa do comportamento de Tiago. “Na verdade, não foi somente por conta do lamentável comportamento deste cidadão!”, garantiu, já que a publicidade também cobra reajuste salarial. “O objetivo é o que o próprio Outdoor revela, um grito de desespero e de clamor, de uma categoria que merece respeito e valorização, duas coisas que nem de longe vivenciamos hoje”, afirmou.

O vereador criticou o gasto com outdoor. Na sua opinião, o sindicato poderia destinar o dinheiro para ajudar os profissionais de enfermagem e a população que sofre com a falta de leitos e medicamentos.