No artigo “Contradições americanas”, o jornalista e filósofo Mário Pinheiro retrata a pobreza e a miséria nas ruas dos Estados Unidos, a maior economia e potência mundial. Milhares vivem vagando sem casa, outros moram nas ruas e nenhum tem direito a assistência médica. A situação é a mesma, independente do partido no poder, Republicano ou Democrata.

“Diante do capital, segundo (Thomas) Piketty, existem desigualdades extremas incompreensíveis, contradições que começaram em 1985, que aumentaram em 2010 e jogou milhares de famílias nas ruas, que sem poder pagar a prestação da casa, nem do aluguel, elas são expulsas da noite para o dia por ordem do xerife”, relata.

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“Numerosas famílias vivem em caravanas estacionadas em locais gratuitos. A pobreza é enorme. Existe aproximadamente 600 mil sem-abrigos; em Nova York estima-se que haja 22 mil crianças vivendo nas ruas, coisa que não existe em Cuba”, frisa Pinheiro.

“A delinquência aumenta. O programa de saúde não é para pobres. Em Los Angeles, por exemplo, 13% da população é sem-abrigo, vive na miséria. A riqueza do país vai para as forças armadas e a espionagem”, conta.

“Eles são nacionalistas ao extremo. Para a imigração vale a mesma coisa. O muro que separa o México é apoiado pelas duas direitas. Donald Trump enviou um avião com mais cem brasileiros deportados, separou crianças de seus pais, como no tempo do nazismo”, conclui.

Leia o artigo na íntegra:

“Contradições americanas

Mário Pinheiro, de Paris

Para muitos brasileiros os Estados Unidos significam o eldorado, o paraíso, a terra que corre leite, mel, dólares e a Disney. É o país rico que se tornou superpotência econômica após o conflito da 2ª Guerra Mundial. É a terra da política conservadora, do bipartidarismo, embora se apresente como democrata, está longe dos ideais apresentados por Alexis de Tocqueville.

A terra de Tio Sam é também o país das desigualdades sociais, da islamofobia e, sobretudo, do racismo. Lá existe obsessões morais e financeiras se levarmos em conta a pesquisa histórica de Thomas Piketty em ‘O capital no século XXI’.

Diante do capital, segundo Piketty, existem desigualdades extremas incompreensíveis, contradições que começaram em 1985, que aumentaram em 2010 e jogou milhares de famílias nas ruas, que sem poder pagar a prestação da casa, nem do aluguel, elas são expulsas da noite para o dia por ordem do xerife.

Numerosas famílias vivem em caravanas estacionadas em locais gratuitos. A pobreza é enorme. Existe aproximadamente 600 mil sem-abrigos; em Nova York estima-se que haja 22 mil crianças vivendo nas ruas, coisa que não existe em Cuba.

Os sem-abrigos são discriminados por dormir no banco da praça, por urinar na rua, por cheirar mal. A delinquência aumenta. O programa de saúde não é para pobres. Em Los Angeles, por exemplo, 13% da população é sem-abrigo, vive na miséria. A riqueza do país vai para as forças armadas e a espionagem.

(*) Mário Pinheiro é jornalista pela UFMS, mestre em Sociologia da Comunicação, filósofo e doutor em Ciências Políticas ambos por Dauphine, Paris.

Embora tenha movimentos de esquerda, a direita reina com todo poder. Senadores, governadores, membros do poder judiciário e tantas outras pessoas, começam a carreira na igreja batista ou presbiteriana. O puritanismo os ‘berça’ e os acompanha. Talvez seja o lado direitista que fascina tanto os imigrantes que sonham reencontrar a mina de dólares para melhorar financeiramente seu passado pobre no Brasil. 

Um exemplo claro de incompreensão. Quando democratas estão na presidência, o diálogo sobre economia, imigração, política externa e assuntos internos dão impressão de avanço. Na verdade, não muda muita coisa, não sai do campo restrito do tratamento dos republicanos. Democratas e republicanos são aliados em vários assuntos. 

Por exemplo, Joe Biden é um político profissional “velhaco” há mais de cinco décadas. Antes da decisão de invasão sobre o Iraque de Saddam Hussein, Biden era o senador democrata responsável em convencer os senadores democratas a votarem favorável ao projeto de George Bush.

Quando Barrak Obama era presidente, Hilary Clinton tinha a chave na mão para desbloquear Cuba. E ela não o fez pelo ranço de ódio. Afinal, os americanos tentaram também invadir a Baia dos Porcos quando Eisenhower presidia o país em 1961, o discurso perdura com Kennedy. Os EUA perderam a batalha. A organização foi arquitetada pela CIA. O ódio persiste.

A retirada dos americanos de Guantánamo foi anunciada, mas jamais executada. Eles são nacionalistas ao extremo. Para a imigração vale a mesma coisa. O muro que separa o México é apoiado pelas duas direitas.

Donald Trump enviou um avião com mais cem brasileiros deportados, separou crianças de seus pais, como no tempo do nazismo. Em 2019 havia 18 mil brasileiros fichados como imigrantes clandestinos passível de expulsão.”