Cerca de mil pessoas, segundo a Guarda, participaram de ato contra Bolsonaro e em defesa das instituições na tarde de hoje (Foto: O Jacaré)

Cerca de 3 mil pessoas, segundo a organização, participaram da 27ª edição do Grito dos Excluídos na tarde desta terça-feira (7) em Campo Grande. A Guarda Municipal estimou em mil participantes. Além dos temas inerentes, como combate à fome e à miséria, a tradicional manifestação da Independência acrescentou a defesa das instituições, atacadas pelos seguidores e pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e contra a volta da ditadura militar.

A Guarda Municipal e a Polícia Militar garantiram a segurança do movimento. Apesar da passeata contar com a participação de trabalhadores, professores, políticos e religiosos, lojas centrais fecharam as portas temendo arrastão. O grupo cantou gritos de guerra e de protesto, como “Fora Bolsonaro, genocida!”.

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Os cartazes e faixas levaram frases como “Vacina no braço, comida no prato”, “Independência é ditadura nunca mais”, “Jornalistas em luta – Democracia e feijão sim, golpe não”, “Fora Bolsonaro”, “Minha vida não vale um dólar”, “Mais livros, menos armas”, entre outras de crítica ao presidente da república e em defesa do Supremo Tribunal Federal.

A mobilização incluiu a defesa da democracia e das instituições em decorrência da subida de tom de Bolsonaro. Em discursos feitos em Brasília e na Avenida Paulista, em São Paulo, o presidente atacou os ministros do Supremo Tribunal e pregou a desobediência às ordens judiciais.

Para o deputado estadual Pedro Kemp (PT), Bolsonaro passou a ameaçar o Poder Judiciário porque teme a possibilidade de ver os filhos atrás das grades. O petista lembrou que o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos) e o vereador Carlos Bolsonaro são investigados no escândalo das rachadinhas, denominação do esquema de desviar salários dos funcionários em proveito próprio. Ele também lembrou que o parlamentar carioca é suspeito de coordenar as fakes news.

Loja baixou as portas durante passeata de trabalhadores (Foto: O Jacaré)

Kemp também destacou que o Grito dos Excluídos protesta, há 27 anos, contra a desigualdade social no Brasil, que se aprofundou na gestão atual. Ele lembrou do aumento do custo de vida, como a disparada no preço dos combustíveis, da carne, dos alimentos e da energia. Além disso, ele ressaltou que a manifestação teve um caráter especial em defesa da democracia.

No comando do trio elétrico, o presidente da Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação), Jaime Teixeira, afirmou que o grito era contra o desemprego, a carestia e a fome. “Fora Bolsonaro nazista”, acusou o sindicalista, que acabou sendo ovacionado pelos participantes.

De acordo com Vilson Gimenes, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), todos usaram máscaras, álcool gel e adotaram o distanciamento social. A medida de precaução foi mantida apesar da vacina por causa da variante delta da covid-19, que teve os primeiros casos confirmados em Campo Grande.

Além do público ser muito menor, em relação a manifestação a favor de Bolsonaro e contra o STF no período da manhã, o Grito dos Excluídos limitou-se a manifestação a pé. A CUT estimou em 3 mil pessoas. A Guarda Municipal informou que foram mil pessoas no ato contra o Governo, enquanto o ato a favor teve a participação de 40 mil pessoas.

Jovens levaram cartazes em defesa da democracia e faixa chamando Bolsonaro de genocida (Foto: O Jacaré)