Cerca de 10 mil veículos, segundo a Guarda, foram às ruas no protesto de hoje, apesar do preço da gasolina beirar R$ 6 na Capital (Foto: Marcelo Victor)

Cerca de 40 mil pessoas, segundo estimativa da Guarda Civil Metropolitana, foram às ruas na manhã desta terça-feira, 7 de setembro, no protesto contra o Supremo Tribunal Federal e para pedir intervenção militar, apesar de ser inconstitucional. Com a bandeira do Brasil, vestidos de verde e amarelo e com grito em defesa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o grupo realizou o 3º maior protesto da história de Campo Grande.

Mobilizados por sindicatos rurais, produtores, empresários, militares, pastores, grupos de direita e até padres da Igreja Católica, os manifestantes levaram cartazes e faixas contra o STF e pedindo a volta da ditadura militar. “Intervenção militar com Bolsonaro no poder”, “Intervenção cívico-militar para restaurar os poderes”, “Presidente Bolsonaro liberte o Brasil da ditadura do STF”, “Chuta o balde agora, presidente! Ou não haverá Brasil para salvar”, foram algumas das frases antidemocráticas levadas ao ato na Avenida Afonso Pena.

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O comunismo, apontado como inimigo pelo padre Paulo Roberto de Oliveira, da São José, também foi o inimigo apontado por parte expressiva dos participantes. “Criminalização do comunismo e do socialismo”, “Presidente Bolsonaro acabe com o comunismo no Brasil”, “S.O.S. Forças Armadas libertem nosso Brasil do comunismo”, foram frases encontradas em faixas, cartazes e adesivos.

A manifestação contou com os eleitores a pé, de bicicleta, de moto, de caminhão, a cavalo e de carro. Responsável pela segurança do evento, a Guarda Municipal estimou que 40 mil pessoas participaram da manifestação contra o Supremo e em defesa de Bolsonaro hoje em Campo Grande. A corporação informou que foram 10 mil veículos, 1.200 motos, 300 bicicletas e 450 caminhões.

Cerca de 5 mil pessoas participaram do ato na Praça do Rádio, onde líderes religiosos e políticos discursaram contra o ativismo político do Poder Judiciário e fizeram orações em defesa do Brasil.

Ponto de referência do protesto, o CMO (Comando Militar do Oeste) montou esquema especial de segurança. Além de colocar cones, o Exército fez questão de colocar cartazes alertando para a população não ultrapassar a barreira de segurança, com base no Decreto-Lei 3.437, de 17 de julho de 1941. Soldados portaram armas e até tanques foram colocados na entrada do quartel.

Para o vereador Alírio Villasanti (PSL), a manifestação foi “excelente”. “Ordeira, pacífica, com a participação da família”, avaliou. “A maior manifestação que já vi. Penso que mais de 100 mil pessoas”, estimou o coronel, que já foi comandante do Batalhão da Polícia de Trânsito. O vereador Sandro Trindade (Patri) foi mais otimista e estimou em 300 mil. No entanto, ele disse que a informação era da Guarda Municipal. No entanto, a corporação informou, em nota, que foram 40 mil.

“Maior movimento já feito em Campo Grande”, afirmou o vereador Tiago Vargas (PSD), outro integrante da organização do movimento. Considerando-se os números oficiais, este foi o 3º maior público em manifestação em Campo Grande. A marcha contra a corrupção em junho de 2013 foi a 2ª, quando 60 mil pessoas foram às ruas da Capital. Em março de 2015, o movimento pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) levou 130 mil pessoas à Avenida Afonso.

Para o pastor Wilton Acosta, a manifestação desta terça-feira foi gigante e travou a Avenida Afonso Pena. Os veículos tomaram a via ao longo de aproximadamente 4,5 quilômetros, entre a Praça do Rádio Clube e o CMO.

Villassanti disse que as autoridades precisam ouvir a voz das ruas. “Mirou a liberdade e a democracia, prioritariamente. E também que o Supremo deixe de praticar o ativismo o político”, afirmou o coronel.

Esta foi a maior manifestação contra o Supremo em Campo Grande. A primeira manifestação levou 2 mil pessoas ao ato em frente do Ministério Público Federal em novembro de 2019. Em março do ano passado, quando as autoridades tomaram as primeiras medidas contra a pandemia da covid-19, houve megacarreata na Capital contra o STF e a favor da intervenção militar.

O Jacaré tentou falar com outros organizadores, mas não houve retorno.

Boneco do ministro Gilmar Mendes, do STF, foi levado para o ato que mirou a suprema corte (Foto: Marcelo Victor)