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PF investiga movimentação atípica de R$ 4 mi de Polaco e assombra outros alvos da Vostok

Depoimento de Polaco ocorreu na tarde de ontem na PF em Campo Grande (Foto: Leonardo França/Midiamax)

A Polícia Federal investiga movimentação atípica de R$ 4 milhões do corretor de gado José Ricardo Guitti Guímaro, o Polaco. O inquérito foi aberto a partir da quebra de sigilo na Operação Vostok, que levou a denúncia de Reinaldo Azambuja (PSDB) pela suposta propina de R$ 67,791 milhões da JBS em troca de incentivos fiscais. A investigação pelos crimes de sonegação fiscal pode envolver outros denunciados junto com o tucano no Superior Tribunal de Justiça.

Polaco prestou depoimento na tarde desta quarta-feira (28), conforme revelado pelo jornal Midiamax e confirmado pelo O Jacaré. Além dele, a PF ouviu o sócio na corretora Carandá, João Siqueira. A empresa foi um dos alvos da Operação Vosto por supostamente lavar o dinheiro da propina paga pela rede de frigoríficos ao governador do Estado.

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Conforme o advogado José Roberto da Rosa, Guímaro falou por aproximadamente uma hora e meia. Ele foi intimado a explicar a movimentação de R$ 4 milhões no período de três anos, que não teve a origem confirmada nem foi declarada no Imposto de Renda. “Vai ser uma multa gigantesca”, reconheceu o defensor, sobre o valor a ser fixado pela Receita Federal a respeito do rendimento incompatível.

A movimentação atípica foi identificada pela PF durante a Operação Vostok. Polaco é acusado de ser um dos operadores de Reinaldo. Eles foram denunciados por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa no STJ. A Corte Especial ainda vai decidir se mantém ou não o desmembramento da denúncia. No entanto, a decisão vem sendo adiada desde fevereiro em decorrência de problemas de saúde do relator, ministro Felix Fischer.

Rosa não sabe se outros denunciados na Ação Penal 980 foram alvo da abertura de novos inquéritos na PF porque o caso é sigiloso por envolver dados fiscais. No total, 24 pessoas foram denunciadas, entre empresários, pecuaristas e o conselheiro do TCE, Márcio Monteiro, e o primeiro-secretário da Assembleia Legislativa, Zé Teixeira (DEM).

Polaco foi intimado para prestar depoimento no Pará. No entanto, como ele aproveitou as férias dos filhos para visitar a família em Aquidauana e o advogado reside na Capital, o depoimento foi agendado para ser prestado na Superintendência da PF.

O corretor de gado também é investigado Operação Motor de Lama, denominação da 7ª fase da Lama Asfáltica, que apura desvios milionários no Detran e o pagamento de propina para o ex-secretário-adjunto de Fazenda, André Cance, e do filho de Reinaldo, Rodrigo Souza e Silva. O inquérito foi encaminhado para a 1ª Vara Criminal de Campo Grande e o juiz Roberto Ferreira Filho decidirá se vai ter continuidade ou não.

Polaco passou a residir no interior do Pará desde que houve o suposto roubo da propina de R$ 300 mil em novembro de 2017. A quadrilha presa pelo assalto do comerciante Ademir Catafesta, que veio de Aquidauana até Campo Grande pegar o dinheiro destinado ao corretor, revelou que foi contatada por Rodrigo Souza e Silva.

Em depoimentos ao Ministério Público Estadual, revelado pelo Fantástico, da TV Globo, o chefe do grupo, o pedreiro Luiz Carlos Vareiro, o Véio, chegou a falar que o plano era matar Polaco, mas teria falhado em duas ocasiões. A quadrilha e o filho de Reinaldo são réus na Justiça por roubo em decorrência deste caso.

Polaco também chegou a ser gravado em 2017 pelo empresário José Berger, do curtuem Braz Peli, recebendo R$ 30 mil em propina. Na ocasião, os empresários revelaram que o corretor recebia a propina em troca da manutenção de incentivos fiscais pelo Governo.

Reinaldo foi absolvido da denúncia por unanimidade em outubro de 2018 pela Corte Especial do STJ. Os ministros determinaram o encaminhamento da denúncia contra os demais, inclusive Polaco, para a primeira instância e nunca mais se ouviu falar neste escândalo.

Polaco foi tema de reportagem do Fantástico, da TV Globo, quando foi gravado recebendo propina (Foto: Arquivo)
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Publicado por
Edivaldo Bitencourt

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