Zeca do PT e presidente da Cassems, Ricardo Ayache, durante entrega de homenagem pelas duas décadas do plano de saúde, instituído na gestão do petista (Foto: Divulgação)

O ex-governador Zeca do PT falou, na manhã desta segunda-feira (21), como candidato a governador de Mato Grosso do Sul, detonou o eterno adversário, André Puccinelli (MDB), e o antigo aliado, Delcídio do Amaral (PTB), que chamou de “grandes enganadores”. Além de buscar o apoio dos tradicionais aliados, como PDT e PSB, o petista fez elogios e admite aliança com o governador Reinaldo Azambuja (PSDB), adversário histórico do PT, e com a família Trad.

Em entrevista à Rádio CBN de Campo Grande, Zeca contou que reuniu as principais lideranças do PT e se colocou a disposição para disputar o Governo do Estado pela 4ª vez. O petista venceu duas disputas, quando foi eleito em 1998 e reeleito em 2002, e perdeu uma, para Puccinelli em 2010.

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Ex-deputado estadual, ex-deputado federal e ex-vereador da Capital, ele tinha desistido da política alegando problemas de saúde, logo após perder da disputa para o Senado em 2018. No entanto, com a anulação das condenações e recuperação dos direitos políticos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-governador ficou animado e voltou a comandar as articulações.

A disposição, conforme o homem de Porto Murtinho, decorre do esforço para defender a democracia brasileira. Ele comunicou Lula sobre a disposição de voltar a disputar o cargo de governador, somando-se aos nomes já lançados, como Puccinelli, o secretário estadual de Infraestrutura, Eduardo Riedel, a senadora Soraya Thronicke (PSL), o prefeito da Capital, Marquinho Trad (PSD), e o ex-vereador Vinicius Siqueira (PROS).

Zeca detonou Puccinelli, com o qual mantém rixa des””de 1996, quando o emedebista o derrotou na disputa da prefeitura da Capital por 411 votos. “Não é só pela prisão de seis meses (na verdade, cinco meses) que o filho e o André tiveram”, ressaltou, sobre a reclusão do ex-governador na Operação Lama Asfáltica.

“André ainda tem inúmeros problemas, inúmeros processos”, acusou e citou a decisão do Superior Tribunal de Justiça, que acatou pedido do Ministério Público Estadual e manteve o emedebista como réu por improbidade na Coffee Break, acusado de articular o golpe para cassar o mandato de Alcides Bernal (Progressistas).

Conforme o petista, ele não faz alianças com André e o ex-senador Delcídio do Amaral. “São dois grandes enganadores, prepotentes e arrogantes. (Eles) não fazem bem para a democracia nem para a política”, alfinetou. Delcídio entrou na política em 2002 com o apoio de Zeca, quando o então governador fez o PT engolir a filiação e a candidatura do então secretário estadual de Infraestrutura.

Embora cite os processos contra Puccinelli como um dos motivos para o veto, Zeca do PT quer fazer aliança com o PSD e conversar com o presidente regional da sigla, Nelsinho Trad, campeão em número de ações por improbidade, conforme o jornal O Estado de São Paulo. Além de Nelsinho, ele não descarta conversar com os irmãos Trad, Marquinhos e Fábio em busca de apoio.

As denúncias de propina da JBS no STJ contra Reinaldo não são empecilho para o ex-governador buscar apoio do tucano no 2º turno. “Tenho um apreço muito grande pelo Riedel (secretário de Infraestrutura e pré-candidato a governador pelo PSDB)”, acrescentou. “Eles representam um setor que é fundamental para a economia, o agronegócio”, enfatizou.

Na opinião de Zeca, Reinaldo Azambuja tem humildade que nem André nem Delcídio possuem. “Tenho um apreço muito grande por ele”, frisou, mostrando disposição de procurar os tucanos para aliança no segundo turno.

Em seguida, o petista foi duro nas críticas aos adversários: “não botei tornozeleira, não fui preso, não tive os bens bloqueados, não tenho nada, mas deito, durmo e vivo tranquilo”. A crítica foi dirigida a Puccinelli e Delcídio, mas poderia ser direcionado aos futuros “aliados”, que também com bens bloqueados e estão em apuros com a Justiça.