Ayrton e Camila apresentaram moção de congratulação a Fachin: fez o certo, mas não repara erro do passado (Foto: Izaías Medeiros/CMCG)

Por 16 votos a 6, a Câmara Municipal de Campo Grande rejeitou, na manhã desta terça-feira (9), moção de congratulação ao ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. Os veadores rejeitaram homenageá-lo pela decisão de anular todas as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tornando-o elegível e viabilizando sua candidatura a presidente da República em 2022.

A proposta de Camila Jara e Ayrton Araújo, ambos do PT, irritou o presidente do legislativo, Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB). O socialista alegou que a vereadora tinha assumido o compromisso de fazer pronunciamento sobre a decisão, que anulou as condenações do petista pelo triplex no Guarujá e pelo sítio de Atibaia.

Veja mais:

Suposto repasse de João Amorim e cargo na Funesp mantêm João Rocha na mira da Coffee Break

Em quatro anos, patrimônio de vereadores cresce até 472%; quatro ficam mais pobres

Apesar de 18 vereadores novos, Câmara deve eleger réu na Coffee Break como presidente

A congratulação enfrentou resistência e vários vereadores teriam pedido votação nominal para expor a posição política dos parlamentares. Seis vereadores votaram pela moção de congratulação de Fachin: Camila e Ayrton, Marcos Tabosa (PDT), Dr. Victor Rocha (Progressistas), o líder do prefeito na Casa, Beto Avelar, e Delei Pinheiro, ambos do PSD.

“Voto sim porqu7e está se corrigindo erro jurídico. O homem está totalmente errado”, justificou Tabosa, fazendo referência ao ex-juiz Sergio Moro, que condenou Lula a nove anos e seis meses de prisão pelo apartamento no Guarujá. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região elevou a pena a 12 anos e um mês. O Superior Tribunal de Justiça manteve a sentença, mas reduziu a pena a 8 anos, 10 meses e 20 dias.

A favor da congratulação a Edson Fachin

Beto Avelar (PSD)
Delei Pinheiro (PSD)
Ayrton Araújo (PT)
Dr. Victor Rocha (PP)
Camila Jara (PT)
Marcos Tabosa (PDT)

Contra a homenagem ao ministro do STF

Otávio Trad (PSD)
Tiago Vargas (PSD)
Clodoilson Pieres (Podemos)
Ronilço Guerreiro (Podemos)
Zé da Farmácia (Podemos)
Jamal Salem (MDB)
Professor Juari Lopes (PSDB)
João César Mattogrosso (PSDB)
Professor Riverton Souza (DEM)
Dr. Loester Nunes (MDB)
Edu Miranda (Patriotas)
Dr. Sandro Benites (Patriotas)
Robertinho (Republicanos)
Gilmar da Cruz (Republicanos)
Professor André Luís (Rede)
Coronel Alívio Villasanti (PSL)

Na sentença do sítio, a juíza substituta Gabriela Hard condenou o ex-presidente a 12 anos e 11 meses. A decisão causou polêmica porque trouxe trechos da condenação de Moro. O TRF4 novamente ampliou a penalidade para 17 anos, um mês e 10 dias. Fachin também tirou da 13ª Vara de Curitiba o processo em que Lula é acusado de receber terreno para construir a nova sede do instituto com seu nome.

“O Fachin foi corajoso”, ressaltou Tabosa. Ele ressaltou que não se pode ficar refém de um juiz. Vitor Rocha afirmou que votou a favor da moção em respeito aos vereadores do PT, que possuem o direito de fazer as homenagens a quem consideram importante.

Dos 16 vereadores contra a moção de congratulação a Edson Fachin, apenas alguns decidiram justificar. “Com todo o respeito, não dá para eu votar esta moção. Com certeza não, mil vezes não”, bradou Tiago Vargas (PSD), que acabou se tornando o vereador mais votado após criticar corruptos e se transformar no principal crítico do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), acusado de receber R$ 67,791 milhões da JBS.

Não, mil vezes não, diz vereador eleito com discurso de combate à corrupção (Foto: Izaías Medeiros/CMCG)

“Não podemos ser coniventes com a impunidade e a corrupção que tantos malefícios causaram à nação”, justificou o coronel Alírio Villasanti (PSL). O militar ainda criticou Fachin por ter relações com o PT. “Decisão judicial deve ser respeitada, mas voto não”, afirmou o Dr. Sandro Benites (Patriota).

Por outro lado, a autora defendeu Fachin. “Essa decisão dele é um reconhecimento de que sempre estivemos corretos. Apesar de não reparar os danos irremediáveis do passado, Fachin fez o que era certo”, justificou a autora da moção de congratulação, Camila Jara.

Com a decisão, a Câmara de Campo Grande rejeitou, por 16 a 6, a homenagem a Edson Fachin. O resultado é raro no legislativo municipal, onde a maior parte sempre aprova as congratulações feitas pelos colegas.

O curioso foi ver que alguns réus na Justiça, como Otávio Trad (PSD), Gilmar da Cruz (Republicanos) e Jamal Salem (MDB), réus na Operação Coffee Break, foram contra a anulação das condenações de Lula. Jamal ainda é acusado de enriquecimento ilícito e de superfaturar compra de equipamentos para o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Todos negam as acusações.

Edson Fachin causou tsunami na política ao anular condenações e devolver direitos políticos de Lula (Foto: STF/Arquivo)