Zeca defende até apoio a Nelsinho Trad para garantir aliança em torno de Lula em 2022 (Foto: Arquivo)

Como parte da estratégia para reforçar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, o PT não lançar candidato próprio ao Governo do Estado pela primeira vez em 40 anos. O partido cogita apoiar o senador Nelsinho Trad (PSD) ou o secretário estadual de Infraestrutura, Eduardo Riedel (PSDB), para governador nas próximas eleições, segundo o ex-governador Zeca do PT.

Principal liderança do Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso do Sul, sendo governador por dois mandatos, vereador da Capital, deputado estadual e federal, Zeca defendeu o apoio ao candidato de um adversário histórico dos petistas em entrevista ao jornal Folha de São Paulo (veja aqui) desta sexta-feira (16).

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“Para ter uma perspectiva concreta de ganhar com Lula, o partido precisa compor. Isso significa abrir mão de candidaturas majoritárias”, afirmou o petista. Zeca não citou um aliado histórico da sigla e também cotado para disputar o Governo, o atual presidente da Cassems, o médico cardiologista Ricardo Ayache (PSB).

O apoio a Nelsinho, réu em diversas ações e condenado por improbidade administrativa, faz parte da estratégia para contar com o apoio do PSD, sigla comandada pelo ex-ministro e ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. O PT pode apoiar a candidatura a governador de Minas Gerais do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Khalil (PSD).

Já o motivo de apoiar o PSDB, de Reinaldo Azambuja, denunciado ao Superior Tribunal de Justiça por receber R$ 67,791 milhões em propinas da JBS e rival histórico da sigla, Zeca não apresentou os motivos. Os tucanos trabalham para construir uma terceira via a candidatura de Lula e Jair Bolsonaro (sem partido) em 2022.

Na campanha de 2014, quando chegou ao Governo do Estado, Reinaldo usou as acusações feitas na Operação Lava Jato para acusar os petistas de integrante de facção criminosa. Como não pode disputar a reeleição, o tucano cogita disputar o Senado ou uma vaga na Câmara dos Deputados e lançar Riedel como candidato a governador.

Em quatro décadas, desde a volta do voto direto para escolher governadores dos estados, o PT sempre lançou candidato próprio ao Governo do Estado. Mesmo sem chance, como foi com Antônio Carlos de Oliveira (PT) em 1982, o partido nunca deixou de marcar posição na disputa do cargo de governador de Mato Grosso do Sul.

Os candidatos a governador pelo PT em MS

1982Antônio Carlos de Oliveira
1986Luís Landes 
1990Manoel Bronze
1994Pedro Teruel
1998Zeca do PT (eleito)
2002Zeca do PT (reeleito
2006Delcídio do Amaral
2010Zeca do PT
2014Delcídio do Amaral
2018Humberto Amaducci

A estratégia teve êxito em duas ocasiões, na eleição de Zeca do PT em 1998 e sua reeleição, em 2002. Delcídio e Zeca chegaram a ter mais de 40% em 2006 e 2010, respectivamente, mas não conseguiram provar o segundo turno. Em 2014, Delcídio disputou o segundo turno e perdeu para Reinaldo Azambuja. Em 2018, o ex-prefeito de Mundo Novo, Humberto Amaducci, foi o candidato e ficou em 4º lugar.

O PT perdeu força nas últimas eleições após ser bombardeado dia e noite pelos meios de comunicação com as denúncias da Operação Lava Jato. O ápice ocorreu em 2018, quando Lula foi preso e ficou encarcerado por 580 dias.

O ex-presidente estava inelegível e não pode disputar a eleição em 2018. A reviravolta começou a ocorrer no dia 8 de março deste ano, quando o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática, decidiu que o juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, não era competente para julgar o petista e anulou todas as condenações.

A decisão de Fachin foi mantida nesta quarta-feira (15) pelo placar de 8 a 3 pelo STF. Com a decisão, Lula recuperou os direitos políticos, tornou-se ficha limpa e poderá disputar a eleição em 2022. Ele não confirma, mas já fala e age como candidato a sucessão de Bolsonaro.

Ex-governador defende até o apoio do PT ao candidato a governador de Reinaldo em MS (Foto: Arquivo)

Os pré-candidatos a governador em 2022, até o momento, são Eduardo Riedel, Nelsinho Trad, o ex-governador André Puccinelli e a senadora Simone Tebet, pelo MDB, Ricardo Ayache, e a senadora Soraya Thronicke (PSL).