Ex-presidente do TCE é investigado por propriedades rurais no Maranhão (Foto: Arquivo)

A Polícia Federal investiga a existência de terras do conselheiro Waldir Neves Barbosa, ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado, no Maranhão, a 2.500 quilômetros de Mato Grosso do Sul. Alvo da Operação Mineração de Ouro, deflagrada com aval do Superior Tribunal de Justiça na última terça-feira (8), ele também pode ter vendido uma fazenda por R$ 17 milhões no Pará.

Os indícios contra o conselheiro, que foi deputado estadual e federal pelo PSDB e nomeado para o TCE pelo ex-governador André Puccinelli (MDB) em 2009, constam do despacho do ministro Francisco Falcão, do STJ, que autorizou os 20 mandados de busca contra os três integrantes da corte fiscal. Além de Waldir, a PF investiga os conselheiros Ronaldo Chadid e Osmar Domingues Jeronymo.

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De acordo com o inquérito, a PF encontrou uma procuração de Clóvis Fronza Fontana em nome de William das Neves Barbosa Yoshimoto, sobrinho de Waldir. O jovem advogado foi nomeado administrador de redes pela Dataeasy com salário de R$ 15 mil, o maior pago na história da companhia, e é sócio de uma mineradora com o irmão do conselheiro, o ex-vereador e ex-vice-prefeito de Aquidauana, Vanildo Neves Barbosa.

A procuração de Fronza é de 23 de novembro de 2015 e foi firmada no município de Anapurus, no interior do Maranhão e a 282 quilômetros de São Luiz. No processo, a PF cita a pequena cidade de 15 mil habitantes no interior do Pará, mas o município pertence ao estado maranhense.

Fronza recebeu R$ 52 mil de Waldir Neves entre 2010 e 2017, sendo três parcelas, de R$ 32 mil, R$ 5 mil e R$ 15 mil. Neste período, conforme a investigação, foi interceptado e-mail em que Clóvis Fronza Fontana oferece uma propriedade rural no Pará avaliada em R$ 17 milhões. Os policiais federais suspeitam que a fazenda pertence ao ex-presidente do TCE.

“Ainda, o relatório informa que WALDIR teria terras no estado do Maranhão e que CLÓVIS FRONZA FONTANA seria o responsável pela venda de fazendas de WALDIR naquele estado. Do relatório também consta e-mail enviado por CLÓVIS, em 2017, a um interessado, informando que o valor à vista da fazenda em questão seria de R$ 17.000.000,00”, descreveu o ministro Francisco Falcão.

“Dessa forma, a procuração emitida por CLÓVIS a WILLIAN, supramencionada, pode estar relacionada à venda de fazendas de WALDIR NEVES no estado, o que representa mais um possível vínculo importante de WILLIAN DAS NEVES BARBOSA YOSHIMOTO”, pontuou.

Para esclarecer as suspeitas, a PF solicitou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Waldir Neves e do sobrinho William Yoshimoto. Falcão autorizou o afastamento do sigilo, o compartilhamento dos dados com a Receita Federal do Brasil e com a CGU (Controladoria-Geral da União).

Além disso, a PF cumpriu os mandados de busca e apreensão nos endereços de Waldir e de William. A Operação Mineração de Ouro deve ter desdobramento nos próximos dias e pode levar ao afastamento dos conselheiros do TCE.

O Tribunal de Contas do Estado nem os investigados se manifestaram sobre as denúncias até o momento.