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TCE pagou R$ 80,7 milhões a empresa que contratou parentes de conselheiros e de políticos

Corte fiscal contratou de capataz de fazenda a advogado com bons salários para atuar como administrador de redes e analistas de informática (Foto: Arquivo

A empresa Dataeasy Consultoria e Informática Ltda, que recebeu R$ 80,743 milhões do Tribunal de Contas do Estado entre 2018 e 2020, está no centro das investigações da Operação Mineração de Ouro, deflagrada nesta terça-feira (8) pela Polícia Federal. Ela é acusada de contratar parentes de conselheiros e políticos e até de abrigar funcionários fantasmas, conforme despacho do ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça.

De acordo com o documento, que O Jacaré teve acesso, a empresa foi contratada pela corte fiscal em 2018. Após o acordo, o grupo triplicou o número de funcionários, de 34, em 2017, para 118 no ano seguinte. Entre 2007 e 2017, a média de trabalhadores foi de 26 por ano. A maioria absoluta, 100, eram novos funcionários.

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Um dos casos é o advogado Willian das Neves Barbosa Yoshimoto, 30 anos, contratado como administrador de redes e sistemas computacionais com o salário de R$ 15.194, o maior pago na história da empresa. Ele também foi funcionário da Seleta Sociedade Caritativa, quando era contratada pelo TCE e pagava salário de R$ 1.965 ao parente do conselheiro Waldir Neves. Ele também foi funcionário da Cast Informática, de abril de 2015 a abril de 2018 com salário de R$ 11 mil, quando a empresa prestava serviços ao TCE.

Willian é sócio do irmão de Waldir, o ex-vereador e ex-vice-prefeito de Aquidauana, Vanildo Neves Barbosa, na Mineradora Betione, que foi um dos alvos da Operação Mineração de Ouro. O terceiro sócio da empresa é João Nercy Cunha Marques de Souza, assessor do TCE com salário de R$ 18 mil e da Câmara dos Deputados na época em que Neves foi deputado federal.

Outro funcionário da Dataeasy, Pedro Bedoglim Júnior, foi capataz e caseiro de fazenda contratado pela juíza do trabalho Mara Cleusa Ferreira Jeronymo, esposa do conselheiro Osmar Jeronymo. Ele é administrador de redes com salário de R$ 6 mil desde março de 2018. Júnior foi analista de informática da Cast Informática, onde recebeu R$ 5 mil por mês. Hoje, de acordo com a PF, a média do mercado para esta função era de R$ 2,3 mil.

“Portanto, verifica-se que PEDRO BEDOGLIM JÚNIOR possui relação próxima com o conselheiro OSMAR JERONYMO e que também foi admitido em empresas de tecnologia da informação, durante a vigência de seus contratos com o TCE-MS, sem possuir nenhuma experiência registrada prévia na área de tecnologia da informação e com salários significativamente altos para início de carreira no setor”, pontuou o relatório policial encaminhado ao STJ. Bedoglim ainda foi funcionário da Câmara Municipal de Campo Grande 2005 a 2012 em cargo com função de nível fundamental.

“Dando prosseguimento à análise quanto aos funcionários das empresas DATAEASY e CAST INFORMÁTICA, foi verificado, a nosso ver, em resumo, a contratação de pessoas com vínculos com Conselheiros do TCE/MS e com políticos locais para funções que demandam conhecimentos técnicos na área de informática (como por exemplo de manutenção de redes), sendo obtidos fortes indícios no sentido de que tais pessoas não têm conhecimento técnico na área, apontando se tratarem de funcionários ‘fantasmas’ para o superfaturamento dos contratos firmados com as citadas empresas (peculato, previsto no Art. 312 do Código Penal) e consequente pagamento de propinas (corrupção passiva, prevista no Art. 317 do Código Penal)”, frisou Falcão.

No relatório, o ministro cita a Mara Regina Bertagnolli de Gonçalves, ex-secretária do ex-governador André Puccinelli (MDB), como uma das funcionárias contratadas pela Dataeasy. Outros nomes citados foram Isabela Pires Giroto, Fernando Jeronymo Serra, Elieth Rosa Possari, Lucas Gandolfo Hashioka, Lidiane Serpa Gonçalves, Danilo Deivid dos Santos e Cláudia Mara Tumelero Gomes.

Em decorrência das suspeitas, o ministro Francisco Falcão determinou o afastamento do sigilo fiscal das empresas, dos conselheiros e dos parentes de políticos. “Nesse cenário, o acesso aos documentos fiscais e bancários dos investigados se torna crucial, como meio de verificar a sua movimentação financeira e evolução patrimonial, fatores indicativos de efetiva participação no esquema criminoso”, concluiu o ministro

Somente a investigação da PF irá confirmar quem trabalhava de fato e quem era funcionário fantasma do TCE por meio da empresa de informática.

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Edivaldo Bitencourt

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