A Operação Mineração de Ouro, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (8), mira três conselheiros do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul: Waldir Neves, Osmar Domingues Jeronymo e Ronaldo Chadid. Com autorização do Superior Tribunal de Justiça, são investigados os crimes de fraudes em licitação, superfaturamento de obras públicas e a concessão da coleta do lixo de Campo Grande.

É mais um escândalo envolvendo autoridades com foro privilegiado em Mato Grosso do Sul. Desde o início da manhã, 154 agentes, entre policiais federais, auditores da CGU (Controladoria-Geral da União) e funcionários da Receita Federal cumprem 20 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, em Sidrolândia e Brasília (DF).

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A investigação começou com interceptações telefônicas feitas na Operação Lama Asfáltica, que investigou o desvio de recursos públicos na administração de André Puccinelli (MDB). Jeronymo foi secretário estadual de Governo e principal articulador político do emedebista.

A Operação Mineração de Ouro tem “o objetivo de desarticular organização criminosa identificada durante a Operação Lama Asfáltica, especializada na fraude de certames licitatórios e no desvio de recursos públicos”, informou a Receita, em nota à imprensa.

“As medidas visam apurar a possível ocorrência de favorecimento de terceiros por servidores públicos, enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro e contratação de funcionários ‘fantasmas’”, destacou.

As investigações apuram o envolvimento de servidores públicos do Estado do Mato Grosso do Sul com um grupo de empresários em fraudes relacionadas a procedimentos licitatórios, obras superfaturadas e desvio de recursos públicos. Os fatos indicam possíveis irregularidades na apreciação e julgamento de processos relativos à empresa detentora da concessão dos serviços de coleta de lixo e de tratamento de resíduos no município de Campo Grande/MS”, pontuou.

A concessionária do lixo na Capital é a Solurb, que ganhou a licitação na gestão de Nelsinho Trad (PSD). Atual senador da República, ele não é alvo da operação. A PF suspeita que o dono de fato da empresa é João Amorim, que chegou a ser preso na Operação Lama Asfáltica e foi denunciado na Justiça Federal pelos crimes de corrupção, pagamento de propina e peculato.

No último dia de mandato, o ex-prefeito Alcides Bernal (PP) chegou a anular o contrato de licitação do lixo na Capital. No entanto, o TCE acabou considerando o decreto nulo e determinou a manutenção do contrato bilionário. Os conselheiros também negaram outros pedidos contra a concessionária do lixo.

De acordo com nota da CGU, os três conselheiros do TCE são suspeitos de integrar a organização criminosa investigada na Operação Mineração de Ouro. A suspeita é de que tenham usado a mineração para lavar o dinheiro proveniente da corrupção.

A operação conta com a participação de 102 policiais federais, 21 auditores e 12 analistas tributários da Receita e 19 servidores da CGU.