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PF apura negócios milionários de Osmar Jeronymo com sócio de Beira-mar e preso por tráfico

Indicado ao TCE por André Puccinelli e salário base de R$ 39 mil, Osmar Jeronymo é um dos principais alvos da Operação Mineração de Ouro (Foto: Arquivo)

Ex-secretário estadual de Governo e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Osmar Domingues Jeronymo, é investigado pela Polícia Federal por usar envolvidos com o tráfico internacional de drogas para lavar dinheiro supostamente proveniente de corrupção. De acordo com despacho do ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça, em transação imobiliária com o braço direito do narcotraficante Fernandinho Beira-mar, ele teria ganho 81,06% em quatro meses.

Em outra transação, o conselheiro teria recebido R$ 1,8 milhão de outro preso por tráfico internacional de drogas. As revelações surpreendentes constam da Operação Mineração de Ouro, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (8) contra três conselheiros do TCE. Além de Jeronymo, a investigação mira os conselheiros Ronaldo Chadid e Waldir Neves Barbosa.

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De acordo com o relatório da PF, Jeronymo comprou imóvel de casal de Ponta Porã. Em 2 de fevereiro de 2019, o conselheiro pagou R$ 500 mil a Ademar Souza. No entanto, não há registro do pagamento. Quatro meses depois, em 12 de junho do mesmo ano, o conselheiro do TCE permutou o imóvel com Carlos Alberto da Silva Duro, o Carlinhos Duro, por outro, no valor de R$ 905.323,70, localizado na Avenida Mato Grosso, na Vila Cruzeiro, em Campo Grande.

O ministro chama atenção para o ganho do conselheiro no negócio em quatro meses: 81,06%. Carlinhos Duro consta das fichas da PF e da Polícia Militar e é acusado de ter sido o braço direito de Beira-mar, um dos maiores narcotraficantes brasileiros.

“Há fortes indícios de lavagem de dinheiro”, destacou a PF. O suposto braço direito de Fernandinho Beira-mar reside no Paraguai.

Também em 2019, Luciano Junio Verbena repassou R$ 1.892.182,70 para o conselheiro. “Em 2019, Osmar Jeronymo recebeu recursos de pessoas físicas e jurídicas que não foram mencionadas em suas transações imobiliárias ou em sua declaração de imposto de renda da pessoa física”, pontua.

“Como exemplo, podem ser citados os recebimentos, por parte de Osmar, de R$ 1.892.182,70 de Luciano Junio Verbena (CPF: 221.000.928-63), entre os dias 08/08/2019 e 16/08/2019 (intervalo de 9 dias), e de R$ 41.278,00 da Hexxa Shows Gestão Artística Eireli (CNPJ: 31.265.486/0001-13), em 21/01/2019, ambos citados em fontes abertas como possíveis envolvidos com crimes relacionados ao tráfico internacional de drogas e à lavagem de dinheiro”, destacou o magistrado.

O dinheiro foi revelado na quebra do sigilo bancário, mas não aparece na declaração do Imposto de Renda do ex-secretário de Governo. Segundo a PF, Verbena foi preso na Operação Voo Baixo, que mirou uma organização de tráfico transnacional de drogas.

A PF aponta ainda a movimentação de R$ 2,993 milhões nas contas de Jeronymo sem origem definida. “São apontadas, ainda, diversas transações financeiras, efetivadas no ano de 2019, tendo o Conselheiro OSMAR DOMINGUES JERONYMO como beneficiário, sem a correspondente declaração em imposto de renda pessoa física, e com características de movimentações atípicas ou suspeitas, no montante total de R$2.993.832,70, conforme planilha”, citou o ministro do STJ.

Essas irregularidades se referem apenas ao ano de 2019. O conselheiro teve os dados analisados referente a outros anos e também foram encontradas diversas irregularidades.

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Publicado por
Edivaldo Bitencourt

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