Depoimento sigilo de Luiza Ribeiro foi pedido pelos réus, que agora não querem ouvi-la novamente em novo julgamento (Foto: Arquivo)

O empresário João Amorim ingressou com pedido para suspender o depoimento da ex-vereadora Luiza Ribeiro (PT) no julgamento histórico da Operação Coffee Break, previsto para terça-feira (25). Essa é mais uma guerra entre os réus e a acusação na ação de improbidade administrativa, que mobiliza um batalhão de advogados na Capital.

Conduzida pelo juiz David de Oliveira Gomes Filho, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivo e Individuais Homogêneos, a audiência de instrução e julgamento envolve praticamente toda a classe política sul-mato-grossense. Ontem, o ex-vereador e atual secretário-adjunto de Governo e Gestão Estratégica, Flávio César de Oliveira, sentou no banco dos réus. Amanhã será a vez do presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, Carlos Augusto Borges, o Carlão.

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Na sexta-feira, o ex-prefeito da Capital, Gilmar Olarte (sem partido), que está preso para cumprir a sentença de oito anos e quatro meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, vai ser interrogado. O último réu será o senador Nelsinho Trad (PSD).

Em meio aos interrogatórios, os réus vão tentar impedir o novo depoimento de Luiza Ribeiro, que foi uma das principais aliadas de Alcides Bernal (Progressistas). Na época no PPS, ela foi uma das principais defensores do ex-prefeito.

Amorim pediu para que o juiz considere o depoimento prestado pela ex-vereadora na ação criminal, que teria sido realizado no dia 28 de novembro de 2019. O vídeo com o depoimento, feito em sigilo, foi juntado ao processo de improbidade administrativa.

Os advogados Arnaldo Puccini Medeiros e Maitê Nascimento Lima argumentam que o pedido visa a economia e celeridade processual. Ou seja, por que ouvir a ex-vereadora novamente se o depoimento feito há dois anos faz parte dos autos?

Só que o depoimento foi juntado ao processo a pedido da defesa dos réus. Ou seja, as declarações de Luiza Ribeiro, na concepção dos advogados de defesa, podem favorecer os réus. Na época do pedido para emprestar a prova, não houve oposição do Ministério Público.

A decisão deverá ser tomada pelo juiz David de Oliveira Gomes Filho, que poderá cancelar a oitiva da ex-parlamentar. Ao ser questionada sobre as declarações feitas em novembro de 2019, Luiza afirmou que não se lembrava.

João Amorim é acusado pela Polícia Federal de ser sócio oculto da Solurb. Em interceptações telefônicas, ele foi flagrado cobrando o repasse da prefeitura para a concessionária do lixo da Capital. Oficialmente, o genro do empresário, Luciano Potrich Dolzan, é dono da LD Construções, que tem 50% da Solurb.

Amorim é réu em ações da Operação Lama Asfáltica e ficou preso por um ano e 20 dias após ser acusado de ser um dos chefes da organização criminosa ao lado do ex-governador André Puccinelli (MDB) e do ex-secretário estadual de Obras, Edson Giroto.

O empresário sempre negou ser dono da Solurb.