Marquinhos pode não seguir a determinação do governador e manter toque de recolher às 22h (Foto: Arquivo/GMCG)

O vazamento do decreto com medidas mais restritivas contra a pandemia da covid-19 elevou a pressão e o bombardeio sobre Reinaldo Azambuja (PSDB) por parte de empresários, comerciantes e prefeitos. A pressão teve efeito. O governador manteve o toque de recolher das 20h às 5h, mas a medida só valerá a partir de domingo (14). Ele também permitiu o funcionamento de igrejas e atividades não essenciais aos domingos.

Inicialmente, o toque de recolher valeria a partir de amanhã (11) e seria adotado lockdown a partir das 16h de sábado. O Governo do Estado segue ações semelhantes que deverão ser adotadas no restante do País como ofensiva para frear a covid-19 e reduzir a pressão sobre os hospitais.

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No decreto (veja aqui), Reinaldo e o secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, apontam a superlotação dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e a variante PI do coronavírus. A medida mais dura é a antecipação do toque de recolher das 22h para as 20h. Nos finais de semana, a partir das 16h.

Durante o toque de recolher, o Governo proíbe a circulação de veículos e pessoas, salvo em razão de trabalho, urgência médica ou urgência inadiável. Também fica proibido o consumo de bebida e alimentação nos locais – ou seja, bares, restaurantes e lanchonetes deverão ficar fechados no período do toque de recolher.

O Governo permitiu o funcionamento de atividades consideradas essenciais, que inclui indústrias, oficinas mecânicas, supermercados, igrejas e escolas. Os locais deverão funcionar com 50% da capacidade. Durante o horário especial, supermercados só poderão permitir uma pessoa por família.

No decreto, o governador deixa brecha para cada prefeito adotar o lockdown. “O disposto neste Decreto não impede que os municípios adotem medidas restritivas mais rígidas, de acordo com a situação epidemiológica verificada e as particularidades locais, observadas as recomendações fixadas pelo Comitê Gestor do PROSSEGUIR, em consonância as bases e as diretrizes constantes do art. 1º do Decreto Estadual nº 15.462, de 25 de junho de 2020”, ressaltou.

No entanto, a medida desagradou o comércio. A Câmara dos Dirigentes Lojistas cogita ingressar com ação na Justiça para suspender as restrições, que devem causar prejuízos aos lojistas e donos de bares e restaurantes, os mais prejudicados com as restrições.

Marquinhos Trad (PSD) gravou áudio, que viralizou, destacando que a Capital não vai aderir ao decreto de Reinaldo até segunda-feira. A manifestação visa acalmar os donos de estabelecimentos comerciais, que desejam se planejar para eventual fechamento no período noturno.

Em entrevista ao Campo Grande News, ele criticou a decisão do Governo. “O Estado deveria se preocupar em abrir novos leitos e não diminuir uma ou duas horas. A preocupação do Estado deveria ser evitar o envio de paciente para Campo Grande”, queixou-se. Ele frisou que dos 300 leitos de UTI na Capital, 100 estão ocupados por pacientes do interior.

No ano passado, quando o poder público suspendeu as atividades e impôs toque de recolher, a Justiça negou todos os pedidos contra o lockdown e toque de recolher na Capital e no interior.

Sob pressão, tucano auncia medidas restritivas para conter covid-19 em MS (Foto: Chico Ribeiro)