Euzébia Clara Pereira foi assassinada em março. Nome identifico recebeu a primeira parcela do auxílio emergencial (Foto: Arquivo)

O Governo federal pagou auxílio emergencial de R$ 600 para Euzébia Clara Leite Pereira. Uma mulher com o mesmo nome, conhecida como Clara Biac, 26 anos, foi assassinada brutalmente em março deste ano em Água Clara, mesma cidade da beneficiária. Este caso se soma a outras irregularidades detectadas no pagamento do benefício, como a militares das Forças Armadas, brasileiros morando no exterior e foragidos da Justiça.

Aprovado no início de abril deste ano, o auxílio emergencial é destinado a cidadãos maiores de idade sem emprego formal ou possuem renda mensal per capita inferior a meio salário mínimo. O valor varia de R$ 600 a R$ 1,2 mil (para mulheres chefes de família). A proposta é pagar a ajuda por três meses em decorrência da pandemia do coronavírus, que levou à suspensão de atividades econômicas.

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Devido às denúncias de irregularidades, o Ministério da Cidadania disponibilizou a relação dos beneficiários no Portal da Transparência. Ao verificar a lista, uma moradora de Água Clara ficou surpresa ao encontrar o nome de Euzébia Clara Leite Pereira. Conforme o Governo, ela se inscreveu e recebeu a parcela referente ao mês de abril.

O detalhe da história é que Clara Biac, como era conhecida, foi assassinada na tarde do dia 26 de março deste ano pelo marido, Marcos Fernando Martins, 40. Atingida por um tiro na testa, ela morreu antes de receber socorro médico.

O pagamento de R$ 600 foi aprovado pelo Congresso Nacional no dia 30 de março deste ano, quatro dias após a morte de Euzébia. O cadastro começou a ser feito nos primeiros dias de abril. Conforme o Portal da Transparência, em abril, foram pagos R$ 2,4 milhões em auxílio emergencial para moradores de Água Clara.

Clara Biac não teria sido beneficiada com a segunda parcela. No entanto, ela ainda pode ser beneficiada, porque o Ministério da Cidadania só liberou R$ 264 mil até o momento para o município.

Portal da Transparência confirma pagamento: fraude ou homônimo (Foto: Reprodução)

O pagamento do auxílio a uma vítima de femincídio vem se somar a outras irregularidades detectadas no programa. O Ministério da Defesa detectou a inclusão entre os beneficiários de militares da ativa das Forças Armadas, da reserva, pensionistas e anistiados.

Auditoria do Tribunal de Contas da União encontrou o pagamento irregular do benefício para 8,1 milhões de brasileiros. De acordo com o ministro Bruno Dantas, 21,2 milhões de brasileiros preenchem os critérios para receber por meio do aplicativo da Caixa Econômica Federal, mas o Governo pagou para 29,3 milhões de pessoas.

A Controladoria-Geral da União encontrou o pagamento para 27 mil foragidos da Justiça, conforme levantamento divulgado pelo Fantástico, da TV Globo. Ou seja, os bandidos condenados pela Justiça não são encontrados pela polícia, mas não tiveram nenhuma dificuldade em fazer o cadastro e receber o auxílio emergencial de R$ 600.

A CGU encaminhou relatório com a lista dos foragidos da Justiça para o Ministério Público e Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). Até já houve operação para prender os bandidos em alguns estados. Em Mato Grosso do Sul, O Jacaré procurou o Gaeco, mas não houve manifestação se vai apurar a irregularidade.

Também houve pagamento irregular para brasileiros que reside no exterior. Por outro lado, 2,3 milhões de pobres, que teriam o direito, não conseguiram receber o benefício.

O Jacaré procurou o Ministério da Cidadania, que informou só ter condições de se manifestar com mais detalhes da vítima, como número do CPF, data de nascimento e nome da mãe para confirmar se houve fraude ou não na concessão do benefício.