Trabalhadores enfrentam longas filas na Funsat: só hoje já foram distribuída 150 senhas (Foto: Divulgação)

Em decorrência da crise causada pela pandemia do coronavírus, desempregados respondem por mais de 80% do atendimento da Funsat (Fundação Social do Trabalho). Pela primeira vez na história, o órgão não tem nenhuma vaga de emprego para oferecer. Economista prevê que a taxa de desemprego pode saltar dos atuais 12% para 40% no Brasil.

Sem acesso ao financiamento, o comércio da Capital ameaça demitir 70 mil dos 320 mil trabalhadores do setor. Outros 50 mil podem ter os salários suspensos por até três meses, conforme prevê Medida Provisória do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

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Desde de ontem, com a reabertura da Funsat, trabalhadores têm madrugada na esperança de serem atendidos. De acordo com o presidente do órgão, Cleiton Franco, dos 187 atendidos ontem, 82% eram desempregados. Deste total, 121 foram dar entrada no seguro-desemprego. Outros 34 estavam em busca de recolocação no mercado de trabalho. 82% dos atendidos eram desempregados.

O mais grave, o órgão municipal não tinha nenhuma vaga de emprego para oferecer aos trabalhadores. Em média, conforme o dirigente, a Funsat oferece 250 postos de trabalho por dia.

“Infelizmente essa pandemia mundial está deixando os empregadores com o pé atrás com relação à contratação. Com a volta às atividades do comércio parcialmente, nossa equipe de intermediação de vagas e emprego da FUNSAT estão em contato com os empregadores e solicitando, se houver a necessidade de contratação, disponibilizar a vaga ao nosso SINE Municipal”, explicou.

Nesta quarta-feira (8), a demanda é maior ainda. Centenas já estão na fila aguardando o atendimento. A agência conseguiu captar apenas duas vagas de costureira com experiência. “Infelizmente, o empregador está com muito medo do futuro, logo estão demitindo para se Deus quiser, assim que voltar à normalidade, contratarem novamente”, torce Franco.

Para o economista e professor da FacSul/FCG, Eugênio Pavão, a Covid-19 só agravou a situação econômica brasileira, que vinha patinando por falta de credibilidade do Governo, marcado por muito atrito e pouca confiança dos investidores. Antes da pandemia, a economia balançava em decorrência da crise com o Irã e do petróleo.

Com tudo parado em decorrência da quarentena, ele prevê que a taxa de desemprego deverá saltar dos atuais 12% para 40%, 45% dos trabalhadores. Só um agente pode impedir impacto maior na economia, o Governo federal. “Ele pode criar dinheiro novo”, explica o economista, destacando que as medidas terão impacto futuro na dívida pública. No entanto, esta é a última saída e vem sendo adotada por todos os países, desde a China comunista até os Estados Unidos, berço do capitalismo.

Pela primeira vez, agência não tem nenhuma vaga de emprego para ofertar na Capital (Foto: Divulgação)

Mesmo insuficiente, a ajuda de custo de R$ 600 a ser paga aos trabalhadores pelos próximos três meses é considerada fundamental para amenizar a situação. Além disso, Eugênio Pavão recomenda que o Governo libere financiamento com juros baixos para ajudar os empresários a manter as atividades e impedir a demissão dos trabalhadores.

No entanto, os empresários estão com dificuldade de obter financiamento na Capital. De acordo com o presidente da CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas), Adelaido Vila, os mais prejudicados são micro, pequenos e médios empresários, que não atendem as exigências feitas pelo Banco do Brasil.

Nesta terça-feira, a Associação Comercial e Industrial de Campo Grande ingressou com ação na Justiça pedindo a moratória no pagamento dos tributos municipais, como IPTU e ISS, por seis meses. Em decorrência da pandemia da Covid-19, eles querem a suspensão do pagamento até dos tributos parcelados.

A decisão será do juiz Marcelo Andrade Campos Silva, da 4ª Vara de Fazenda Pública. Ontem, o magistrado determinou que o prefeito Marquinhos Trad (PSD) manifeste-se sobre o pedido em 48 horas. Em seguida, ele decidirá se mantém ou suspende a cobrança dos tributos municipais dos comerciantes da Capital.

Devido à pandemia do coronavírus, o comércio ficou fechado por 16 dias, de 21 de março até segunda-feira passada (6).

Auxílio Emergencial de R$ 600

Quem tem direito ao Auxílio de 600

Pode solicitar o benefício o cidadão maior de 18 que atenda a todos os seguintes requisitos:

  • Esteja desempregado ou exerça atividade na condição de:

– Microempreendedores individuais (MEI);  

– Contribuinte individual da Previdência Social; 

– Trabalhador Informal.

  • Pertença à família cuja renda mensal por pessoa não ultrapasse meio salário mínimo  (R$ 522,50), ou cuja renda familiar total seja de até 3 (três) salários mínimos (R$ 3.135,00).

Como receber o Auxílio Emergencial

Desde que atenda às regras do Auxílio, quem já está cadastrado no Cadastro Único (CadÚnico), ou recebe o benefício Bolsa Família, receberá o benefício automaticamente, sem precisar se cadastrar.

As pessoas que não estão cadastradas no Cadastro Único, mas que têm direito ao Auxílio, poderão se cadastrar no aplicativo e site que serão divulgados pela CAIXA.

Quem não tem direito ao Auxílio

  • Tenha emprego formal ativo;
  • Pertence à família com renda superior a três salários mínimos (R$ 3.135,00) ou cuja renda mensal por pessoamaior que meio salário mínimo (R$ 522,50);
  • Está recebendo Seguro Desemprego;
  • Está recebendo benefícios previdenciários, assistenciais ou benefício de transferência de renda federal, com exceção do Bolsa Família;
  • Recebeu rendimentos tributáveis acima do teto de R$ 28.559.70 em 2018, de acordo com declaração do Imposto de Renda.

Para acessar ao auxílio e fazer o cadastro, clique aqui