Novo senador de Mato Grosso do Sul, Nelsinho não paga dívida de R$ 2,5 milhões e tem nome inscrito em órgãos de proteção ao crédito (Foto: Arquivo)

Com contas bancárias e bens bloqueados em decorrência de ações por suspeita de fraude e improbidade administrativa, o senador eleito Nelsinho Trad (PTB) não conseguiu cumprir ordem judicial para pagar dívida de R$ 2,5 milhões e teve o nome inscrito em órgãos de proteção ao crédito. O ex-prefeito da Capital foi inscrito no Serasa e no SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito).

A determinação é do juiz Wilson Leite Corrêa, da 5ª Vara Cível de Campo Grande, e foi cumprida na semana passada. A VCA Produções cobra a execução de nota promissória de R$ 1,250 milhão, emitida em 30 de dezembro de 2014, quando Nelsinho disputou o Governo pelo MDB e ficou em terceiro na disputa.

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A empresa ingressou com ação de execução de R$ 1,893 milhão em 27 de março do ano passado. O valor atualizado do débito, corrigido pelo IGP-M e com juros de 1% ao mês, está em R$ 2,5 milhões.

No ano passado, a Justiça já tinha dado 72 horas para o futuro senador quita a dívida. No entanto, a determinação judicial não foi cumprida por Nelsinho. Ele está com todos os bens bloqueados em ações por improbidade administrativa, como fraude em licitações e desvios na saúde (Gisa), merenda e tapa-buracos, entre outras.

O ex-prefeito ofereceu lotes e casas em um condomínio como garantia do pagamento. Contudo, conforme o advogado Gustavo Romanowski Pereira, ambos estão sequestrados peal Justiça em duas ações, de R$ 7 milhões e R$ 42 milhões.

A VCA Produções pediu o bloqueio dos valores depositados em contas bancárias, poupança e aplicações do petebista. Só que só foram localizados R$ 13 mil.

O advogado André Borges alegou que Nelsinho afirmou, em manifestação direcionada ao juiz, que Nelsinho responde a inúmeras ações cíveis com diversos bloqueios judiciais e sobrevive unicamente do salário como médico urologista e de empréstimos bancários. Ele destaca que não deveria ser bloqueado a quantia destinada ao sustento do devedor e de sua família.

Romanowski rebateu a defesa ao apontar que o bloqueio não afetou as finanças do senador eleito, porque é fato público e notório que ele ostenta elevado padrão de vida. Para garantir o pagamento determinado pelo juiz, a assessoria jurídica da empresa pediu a suspensão do cartão de crédito e da carteira de motorista de Nelsinho e a entrega do passaporte.

Conforme despacho do juiz publicado no Diário Oficial da Justiça no dia 19 deste mês, ele negou a suspensão do cartão de crédito e da CNH do ex-prefeito. No entanto, determinou o bloqueio de qualquer valor disponível nas contas bancárias. “Inscreva-se o nome do executado no cadastro de inadimplentes, via sistema SERAJUD”, determinou Corrêa.

Caso fosse um mero mortal, Nelsinho já teria dificuldades para comprar os presentes de Natal, porque a Justiça já o inscreveu nos temíveis cadastro de proteção ao crédito do SCPC e Serasa.

Levando-se em consideração a declaração entregue ao Tribunal Superior Eleitoral neste ano, quando declarou patrimônio de R$ 3,225 milhões, o ex-prefeito está devendo 77,5% do total dos bens que possui.

No ano passado, quando O Jacaré abordou este assunto pela primeira vez, Nelsinho explicou que a dívida é da campanha eleitora ao governo e deveria ser pago pelo MDB, cujo presidente regional é o ex-governador André Puccinelli (MDB). Ele está licenciado desde 20 de julho deste ano, quando foi preso na Operação Lama Asfáltica.

O advogado André Borges disse que o senador eleito ingressou com embargo e provará que não há dívida a ser paga por Nelsinho.