Policiais federais chegam com materiais apreendidos na sexta fase da Lama Asfláltica (Foto: Correio do Estado/Valdenir Rezende)

A Operação Computadores de Lama, denominação da 6ª fase da Lama Asfáltica, mira os milionários contratos de informática e a remessa clandestina de dinheiro para o exterior. Nesta fase, a Polícia Federal aponta prejuízo de R$ 142 milhões, cumpre quatro mandados de prisão preventiva e chega ao Tribunal de Contas do Estado.

Além disso, um dos 25 mandados de busca e apreensão é cumprido no escritório Fábio Leandro Advogados, de Fábio Leandro, ex-procurador-geral do município na gestão de Gilmar Olarte e filho do presidente eleito do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, desembargador Paschoal Carmello Leandro.

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Conforme a CGU (Controladoria Geral da União), a suposta organização criminosa causou prejuízo de R$ 432 milhões aos cofres públicos, considerando-se as seis fases da investigação. Entre os chefes do grupo estão o ex-governador André Puccinelli (MDB), o ex-deputado federal Edson Giroto (PR) e o dono da Proteco, João Amorim, presos no Centro de Triagem.

A 3ª Vara Federal decretou a prisão preventiva do empresário João Roberto Baird, o Bil Gates Pantaneiro, dono de empresas de informática que tiveram contratos milionários com o Governo do Estado.

Também foram presos o empresário Antônio Celso Cortez, da PSG Informática, e o ex-secretário adjunto de Fazenda e acusado de ser operador de Puccinelli, André Luiz Cance. O quarto preso é Romilton Rodrigues de Oliveira, funcionário de uma das empresas de informática investigadas no esquema.

Policiais federais vasculharam o gabinete de um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado e a casa de um assessor do órgão. Esta é a primeira vez que o TCE entra na mira da Operação Lama Asfáltica, que apura o maior esquema de corrupção na história de Mato Grosso do Sul.

No entanto, não é a primeira operação a enlamear a instituição. A Operação Antivírus, do Gaeco, apontou o envolvimento de diretor com o suposto esquema de corrupção no Detran. A Operação Vostok, da PF, prendeu o conselheiro Márcio Monteiro, acusado de emitir notas fiscais frias para legalizar o pagamento de propina pela JBS ao governador Reinaldo Azambuja (PSDB).

A Operação Computadores de Lama conta com 17 auditores da CGU, 100 policiais federais e 33 servidores da Receita Federal. Eles cumprem mandados de busca e apreensão em Dourados, Jaraguari e Paranhos.

Na fronteira com o Paraguai, a PF esteve no Supermercado Novo Rumo e na residência de um dos sócios, Emerson Rufino.

Durante a análise dos documentos apreendidos nas fases anteriores, os auditores e policiais federais descobriram indício da remessa clandestina de dinheiro para o exterior por empresas de informática, que venciam licitações direcionadas. Outra irregularidades encontrada foi a simulação de contratos e aquisição fictícia de serviços e utilização de laranjas para ocultar patrimônio.

Com as prisões decretadas nesta terça-feira, a Operação Lama Asfáltica contabilizará 12 presos.

André e o filho, o advogado André Puccinelli Júnior, estão presos desde 20 de julho deste ano.

Giroto, Amorim, o ex-deputado Wilson Roberto Mariano de Oliveira, o Beto Mariano, e o cunhado de Giroto, o engenheiro e empresário Flávio Henrique Scrocchio, dividem a mesma cela no Centro de Triagem desde 8 de maio deste ano.

Outras quatro mulheres tiveram a prisão preventiva convertida em domiciliar no mesmo período: Rachel Giroto (esposa de Giroto), Elza Cristina Araújo dos Santos (sócia de Amorim), Ana Paula Amorim Dolzan (filha de Amorim e mulher do sócio da Solurb, Luciano Poltrick Dolzan) e a médica Mariane Mariano de Oliveira Dornellas (filha de Beto Mariano).