Em novembro do ano passado, quando foi preso pela primeira vez, ex-governador conseguiu habeas corpus em 24 horas (Foto: Arquivo)

A Justiça decretou, pela segunda vez, a prisão do ex-governador André Puccinelli (MDB), do filho, o professor universitário André Puccinelli Júnior. A Polícia Federal cumpriu, pelo menos, três mandados de prisão como parte da Operação Lama Asfáltica, que apura suposto esquema criminoso de pagamentos de propinas, fraudes em licitações e desvios de recursos públicos.

As primeiras informações, preliminares, indicam que os motivos são os mesmos da Operação Papiros de Lama, denominação da 5ª fase da Lama Asfáltica, desencadeada em 14 de novembro do ano passado. Na ocasião, o ex-governador ficou preso 24 horas e conseguiu habeas corpus concedido pelo desembargador Paulo Fontes, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região.

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Outro alvo que voltou a ser preso hoje foi o advogado João Paulo Calves, um dos sócios do Instituto Ícone, que teria sido usado para esquentar o pagamento de propina.

Os jornais TopMídiaNews e Campo Grande News apontaram que um dos motivos seria o superfaturamento de R$ 300 mil na venda de livros jurídicos para a Águas Guariroba.

Na Operação Papiros de Lama teve como ponto alto a delação premiada do empresário Ivanildo da Cunha Miranda, que era o operador financeiro do emedebista. Ele confirmou as revelações feitas na delação da JBS, que alega ter pago R$ 112 milhões em propinas ao ex-governador.

André já chegou a colocar tornozeleira eletrônica em maio do ano passado, quando a Justiça federal fixou fiança de R$ 1 milhão. Ele foi monitorado eletronicamente até o TRF3 dar aval para usar parte do dinheiro bloqueado para pagar a fiança.

Pré-candidato a governador, André adiou a convenção de amanhã para o dia 4 de agosto, quando planejava ter mais tempo para negociar a aliança com outros partidos políticos.

Outros acusados de integrar o esquema já estão presos preventivamente desde 8 de maio deste ano. Secretário de Obra nas gestões de André na prefeitura e no Governo, Edson Giroto, também cogitou ser candidato nas eleições deste ano, mas depende do Supremo Tribunal Federal para deixar o Centro de Triagem.

Caso não consiga habeas corpus a tempo, Puccinelli e o filho serão transferidos para a mesma cela onde estão Giroto, o cunhado, o engenheiro Flávio Henrique Garcia Scrocchio, o empresário João Amorim, e o ex-deputado estadual Wilson Roberto Mariano de Oliveira.

A Polícia Federal confirmou as prisões, mas só deve fornecer mais informações no decorrer do dia.

O advogado Renê Siufi só apontou que os motivos foram os mesmos das outras operações da Lama Asfáltica.