Gerson Claro conseguiu triplicar o patrimônio em oito anos, de R$ 802 mil para R$ 2,5 milhões (Foto: Arquivo)

O patrimônio do candidato a deputado estadual Gerson Claro Dino (PP) teve aumento de 212% em oito anos, conforme declarações feitas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Réu por peculato, organização criminosa e corrupção, ele pediu demissão do cargo de diretor-presidente do Detran (Departamento Estadual de Trânsito) após ser preso na Operação Antivírus e ser proibido de frequentar o órgão pelo Tribunal de Justiça em agosto do ano passado.

O patrimônio de Gerson saltou de R$ 802,1 mil em 2010, quando disputou o cargo de deputado estadual pela primeira vez, para R$ 2,506 milhões neste ano. O crescimento é superior à inflação acumulada no período, de 61,7%, conforme dados do Banco Central.

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Conforme a declaração deste ano, o advogado tem duas casas, de R$ 600 mil e R$ 418 mil, um carro de luxo avaliado em R$ 205 mil, R$ 312 mil em investimentos e mais R$ 268,8 mil depositados em conta bancária.

Em 2010, quando ficou de suplente, ele tinha participação em duas empresas, sendo R$ 200 mil em uma imobiliária e R$ 10 mil no escritório de advocacia com Alexandre Bastos, atual desembargador do Tribunal de Justiça.

Evolução da riqueza do candidato

  • 2010 –  R$ 802.138
  • 2018 – R$ 2.506.778,79
Fonte; TSE

Gerson comandou o Detran do início de 2015 até agosto do ano passado, quando a Justiça decretou sua prisão na Operação Antivírus, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). Ele acabou solto, mas se viu obrigado a pedir demissão porque o TJMS o proibiu de se aproximar do Detran.

Em dezembro do ano passado, a juíza Eucélia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal de Campo Grande, aceitou a denúncia contra Gerson, outros ex-diretores do órgão e o ex-presidente da Assembleia Legislativa, Ary Rigo, empresários e ex-servidores públicos.

Eles se tornaram réus pelos crimes de corrupção ativa, peculato, organização criminosa, fraude em licitações, ocultação de bens e lavagem de dinheiro.

No mês passado, o Ministério Público Estadual o denunciou por improbidade administrativa pela contratação sem licitação da Pirâmide Central Informática, que não tinha equipamentos nem funcionários especializados na área de tecnologia da informação. A empresa teria recebido R$ 7,4 milhões dos cofres estaduais.

Gerson Claro nega as denúncias e considerado favorito na disputa de uma das 24 vagas de deputado estadual. Ele conta com o apoio do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e do presidente regional do PP, o ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal.

 

Desembargador suspende bloqueio de bens de Gerson e dois ex-diretores

O desembargador Vladimir Abreu da Silva, da 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça, concedeu tutela antecipada e suspendeu bloqueio dos bens do ex-presidente do Detran, Gerson Claro, e dos ex-diretores Donizete Aparecido da Silva e Gerson Tomi.

A indisponibilidade havia sido decretada pelo juiz David de Oliveira Gomes Filho, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos. (veja aqui)

Para convencer o magistrado a suspender o bloqueio, os ex-diretores alegam que só contrataram a Pirâmide de forma emergencial para reduzir o valor do registro de gravame dos veículos. A contratação teria reduzido de R$ 136 para R$ 103 e avalizado pelo Tribunal de Contas do Estado.

“Ainda que os documentos apresentados na inicial correspondam a um início de prova das supostas irregularidades praticadas pelos agravantes, deve-se averiguar a extensão dos prejuízos sofridos ao erário, que somente ocorrerá com a instrução processual”, observa o desembargador.

“Assim, no caso dos autos, deve-se atentar para os princípios da ampla defesa, do contraditório e da razoabilidade, a fim de que não seja aplicado, aos agravantes, sanção que ultrapassa a medida justa, sem a certeza de que estes tenham praticado os atos pelos quais estão sendo processado”, conclui, acatando o pedido feito pelo advogado André Borges e suspendendo o bloqueio.