Revólveres foram apreendidos em poder do chefe do grupo, que confessou o roubo, mas disse que executou por encomenda para pegar propina (Foto: Divulgação)

A prisão de uma quadrilha de assaltantes, na quarta-feira (6), pelo suposto roubo de veículo na BR-262 pode detonar um escândalo sem precedentes na política de Mato Grosso do Sul. Os bandidos denunciaram que roubaram “propina” de R$ 270 mil paga por integrantes da administração estadual ao corretor de gado, José Ricardo Guitti, conhecido como Polaco.

Esta história sinistra começou às 15h30 de 27 de novembro deste ano, quando o comerciante Ademir José Catafesta, 62 anos, dirigia-se para Aquidauana pela BR-262. Em boletim de ocorrência, feito no dia seguinte, ele contou que era seguido por um Gol vermelho, que não o ultrapassava.

Trecho em que um dos envolvidos cita que o dinheiro roubado seria de propina para Polaco

Na altura da Vila Jamic, Ademir pegou o acostamento para dar passagem para o automóvel, que atravessou na sua frente e o obrigou a parar o carro. Dois homens armados saíram do Gol e anunciaram o assalto. Ademir contou que eles levaram o Ford Fiesta e “R$ 9 mil”, que estava em uma sacola plástica embaixo do banco.

Esta história só foi contada à Polícia Civil às 12h59 do dia seguinte ao roubo.

O Batalhão de Choque recebeu pistas dos envolvidos no roubo na quarta-feira passada, nove dias depois do ocorrido, e prendeu o primeiro envolvido, o lavador de carros, Fábio Augusto de Andrade Monteiro, 23 anos.

Trecho do boletim de ocorrência em que é detalhado como ocorreu o roubo

Ele confessou que participou do assalto, que teria sido planejado pelo mestre de obras Luiz Carlos Vareiro, o Véio, 61. O lavador de carros foi o primeiro falar que o roubo visava propina paga por integrantes da administração estadual para Polaco.

Os policiais prenderam o restante da quadrilha: Luiz, o cantor Jozue Rodrigues das Neves, 41, o representador autônomo Vinícius dos Santos Kreff, 24, e Jefferson Braga de Souza, 24. Com o dinheiro do roubo, o grupo comprou uma motocicleta CB 300 (Vinícius),  um Peugeot 206 (Luiz) e uma motocicleta Fan 125 (Fábio), que foram apreendidos pela Polícia Civil.

Articulador do roubo, Luiz Carlos Vareiro exigiu a presença do Ministério Público Estadual para revelar como orquestrou o crime. O promotor Marcos Alex Vera de Oliveira, do Grupo Especial de Combate à Corrupção, compareceu à delegacia para ouvi-lo.

Grupo teria comprado motocicleta CB 300 como dinheiro roubado de comerciante na BR-262

Conforme o depoimento, o chefe do grupo contou que é dono de uma empresa que presta serviços ao Governo do Estado e a prefeitura da Capital. Ele ficou sabendo que Ademir Catafesta receberia R$ 270 mil para entregar para Polaco, em Aquidauana.

De acordo com Luiz Carlos,Rodrigo, filho do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), teria lhe procurado para encomendar o roubo da propina destinada a Polaco, que protagonizou o escândalo de corrupção no final de maio no programa Fantástico, da TV Globo.

Aqui surge a primeira contradição na história contada pelos suspeitos do crime. Na versão do chefe, ele entregou o dinheiro para o representante da administração estadual e recebeu R$15 mil pelo serviço. Contudo, tinha combinado R$ 30 mil.

Na outra versão, o bando dividiu o dinheiro, sendo R$ 17,5 mil para Fábio e Jefferson, R$ 15 mil para Jozue, R$ 20 mil para Vinícius e o restante para Luiz.

O promotor Marcos Alex colheu os depoimentos dos envolvidos e recolheu os telefones celulares para verificar se houve as ligações entre Luiz e Rodrigo.

Marcos Alex ouviu suspeitos e apura se procede denúncia envolvendo tucanos (Foto: Arquivo)

Governo nega ligação, acha “caso estranho” e quer esclarecer denúncia

O Governo do Estado nega qualquer ligação com o grupo e o suposto pagamento de propina de R$ 270 mil. Além de descartar qualquer ligação com Rodrigo, filho do governador, a assessoria informou que a história é vista como “muito estranha”.

Para a administração estadual, o caso não tem nenhuma procedência.

Também garantiu que está tomando todas as providências para apurar o caso e esclarecer que a denúncia não tem procedência.

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