A organização criminosa paulista PCC (Primeiro Comando da Capital) cogitava explorar o jogo do bicho em Campo Grande, que está acéfalo desde a deflagração da Operação Omertà. Um integrante da facção criminosa, que foi alvo da Operação Primma Migratio, deflagrada no dia 24 de abril deste ano, foi preso na Capital sul-mato-grossense.
O vendedor Henrique Abraão Gonçalves da Silva, 27 anos, foi preso pela Polícia Federal em um apartamento localizado no Bairro Monte Castelo. Ele estava em Campo Grande com a missão de ficar vigiando e manter a organização criminosa informada.
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Com a queda do poderosíssimo empresário Jamil Name, que morreu na cadeia em decorrência das complicações da covid-19, o jogo do bicho virou um mercado potencial que movimenta cerca de R$ 60 milhões na Capital. Grupos de outros estados estavam migrando para a Cidade Morena de olho no novo mercado.
Entre os grupos estava o PCC, que já estava explorando o jogo do bicho no Ceará, conforme despacho da Vara de Delitos de Organizações Criminosas do Tribunal de Justiça do Ceará. A mãe de Henrique, Cintia Chaves Gonçalves, também foi preso e era apontada como integrante do núcleo de operações do grupo.
“Após o Comando Vermelho, facção rival do PCC, ter emitido nota determinando que, em suas áreas territoriais, fosse expressamente proibido ter algum estabelecimento com a LOTERIA FORTE, FOURBETS e 888 BETS, a autoridade policial passou a investigar esses fatos determinados. A suspeita, evidentemente, passou a ser de que referidas empresas pertencessem ao PCC, comandado por MARCOLA, como é do conhecimento público”, pontuou o magistrado cearense.
O PCC passou a explorar o jogo do bicho e tráfico de drogas no Ceará sob o comando de Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, o Marcolinha, irmão do chefão do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. A outra envolvida era a mulher de Marcolinha, Francisca Alves da Silva. O grupo teria movimentado R$ 300 milhões entre 2011 e 2022 no Ceará.
“A autoridade policial deixa evidente a organização criminosa constituída entre os envolvidos para praticarem crimes envolvendo jogo do bicho e auferirem lucros com isso. Da análise dos dados telemáticos atrelados à FRANCISCA ALVES, foi possível perceber que a investigada se apresenta como a grande mantenedora da família e seus agregados, cabendo a ela decisão sobre assuntos sensíveis à organização, entre eles o destino dos gastos dos recursos que são direcionados a sua pessoa, a quantia de drogas a ser traficada e até mesmo o assassinato de pessoas”, pontuou o magistrado.
“Após discorrer longos e objetivos argumentos, a autoridade policial concluiu, com razão, que: ‘restando claro que FRANCISCA, MENESCLAU e GEOMA integram o núcleo decisor, o acervo investigativo demonstra de forma clara que CINTIA CHAVES GONÇALVES, HENRIQUE ABRAAO GONÇALVES DA SILVA, LEONARDO ALEXSANDER RIBEIRO HERBAS CAMACHO, LEVY SOUSA PAIXÃO, MATHEUS VICTOR SABOIA MOREIRA, EDGLEI DA SILVA LIMA e FRANCISCO ERIVALDO CARVALHO MOREIRA compõe o núcleo operacional, estando responsáveis, certamente com o auxílio de potenciais partícipes ainda desconhecidos, por conduzir o dia a dia da atividade ilícita em sintonia e confiança com a célula decisória”, pontuou.
“A organização criminosa também é suspeita de praticar tráfico de drogas e de armas no Ceará. Entretanto, o jogo do bicho foi a forma mais rentável e segura que a quadrilha encontrou para continuar lucrando no Estado”, frisou o juiz no despacho.
Para isso, o grupo criminoso contou com Geomar Pereira Almeida, integrante da facção especialista em jogo do bicho, máquinas caça-níqueis e outros jogos, que veio de São Paulo para o Ceará, para instalar o esquema criminoso.
Henrique estava em Campo Grande e estava tentando obter o certificado de CAC (caçador, atirador esportivo e colecionador) para andar legalmente com uma arma de fogo. Ele chegou a pagar R$ 15 mil em uma pistola, mas a teria devolvido por causa da demora na regularização do CAC.
No apartamento de Henrique, em Campo Grande, a PF encontrou duas cases destinadas ao acondicionamento de armas de fogo. Em uma das cases foram encontrados dois carregadores de pistola no calibre 9mm. Além disso, foram localizadas munições nesse calibre e algumas no calibre .380.
Além da Omertà, o Garras e o Gaeco deflagraram a Operação Sucesisone, que mirou a suposta organização criminosa chefiada pelo deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk (PL), que estaria tentando explorar o jogo do bicho na Capital.