Jamil Name, Jamilzinho e Fahd Jamil: amigos para comandar vingança ou inimigos na disputa do jogo do bicho? (Foto: Arquivo)

O empresário Jamil Name Filho ingressou com habeas corpus no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul para excluir o depoimento da “testemunha secreta” da ação penal sobre a execução do chefe de segurança da Assembleia Legislativa, o sargento da PM, Ilson Martins Figueiredo. As revelações podem causar uma reviravolta no julgamento, com a absolvição de Fahd Jamil e condenação apenas do herdeiro de Jamil Name.

O pedido de liminar para suspender o processo até a análise do mérito do pedido foi negado pelo juiz Waldir Marques, relator da Operação Omertà na 2ª Câmara Criminal do TJMS. Ele pontuou que não há risco de grave dano à ampla defesa de Jamilzinho. O mérito do habeas corpus ainda será analisado pela turma.

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O advogado Luiz Gustavo Battaglin insistiu, também, no depoimento do escrivão do Garras, William Alvarenga Melgarejo, sobre o vazamento do depoimento sigiloso feito em abril de 2020. O documento, sem assinatura da cozinheira da família Name, foi encontrado na casa de Flávio Jamil Georges, o Flavinho, filho de Fahd Jamil, durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão da 2ª fase da Operação Omertà.

O pedido foi negado pelo juiz Aluizio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri. Ele ainda negou o pedido para retirar do processo os dois depoimentos da cozinheira, a testemunha considerada peça-chave no caso.

Agora, a defesa esperar conseguir o desentranhamento do depoimento, que teve repercussão nacional ao ser publicado pela revista Piauí, do Uol. Na versão da cozinheira, Jamil Name e o filho, Jamilzinho, teriam matado Daniel Alvarez Georges, filho de Fahd, após ele ameaçar retomar o jogo do bicho em Campo Grande.

A execução de Figueiredo fazia parte da estratégia, conforme a versão da testemunha secreta, de queimar arquivo. Outros envolvidos no sumiço do filho de Fahd, como José Alberto Aparecido Nogueira, o Betão, também teriam sido executados pelos Name’s.

Battaglin alertou que o depoimento impacta diretamente na estratégia da defesa. Conforme o Gaeco, Fahd Jamil teria pedido ajuda do compadre, Jamil Name para vingar a morte do filho e matar o chefe de segurança da Assembleia Legislativa. Na versão oficial, os dois acusados de chefiar organizações criminosas seriam amigos.

Enquanto os réus discutem detalhes na segunda instância, o juiz Aluizio Pereira dos Santos já está com todas as alegações finais e deve publicar a sentença de pronúncia, se levará ou não os réus a júri popular.