Além de não repassar reajuste ao consumidor, posto faz sorteio de R$ 100 por semana para elevar as vendas (Foto: O Jacaré)

A concorrência acirrada e a queda no preço do etanol livraram o consumidor de sentir no bolso o primeiro reajuste praticado pela Petrobras neste ano em Campo Grande. Devido à redução nas vendas do combustível, enquanto alguns postos recuaram do aumento, outros acabaram cortando até 20 centavos no preço do litro. E ainda há estabelecimento fazendo sorteio ou parcelando em três vezes para elevar as vendas na Capital.

Com a manutenção da política de preços pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), de repassar ao consumidor o preço do barril no mercado internacional e o impacto da alta do dólar, a estatal promoveu 11 reajustes no ano passado, que totalizam correção de 68%. Neste ano, o primeiro reajuste foi de 4,85%.

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Alguns postos ensaiaram repassar imediatamente o aumento ao consumidor, mas não os R$ 0,15 aplicados pela Petrobras nas refinarias. A alta chegou a ficar em torno de R$ 0,10. Contudo, a concorrência acirrada levou os estabelecimentos a cancelarem o aumento.

Na Avenida Bandeirantes, o preço do litro recuou de R$ 6,459 para R$ 6,39. Em outro estabelecimento na Avenida Gunter Hans, houve redução de quase 20 centavos, com o litro caindo de R$ 6,64 para R$ 6,464 nesta semana.

De acordo com Edson Lazaroto, do Sinpetro (Sindicato dos Revendedores de Combustíveis de Mato Grosso do Sul), a redução é reflexo da forte concorrência que existe e sempre existiu na Capital. Ele também atribuiu a redução no preço do etanol, que tem 27% de mistura na gasolina.

Além de não repassar ao consumidor o aumento anunciado pela Petrobras, alguns estabelecimentos estão apelando a criatividade para manter as vendas. Um posto no Jardim Los Angeles, na saída para São Paulo, está parcelando em três vezes a compra de combustível acima de R$ 150.

No Bairro Guanandi, um posto de combustível está fazendo sorteio de R$ 100 por semana entre os clientes que abastecerem valor acima de R$ 50.

Enquanto os donos de postos procuram meios de manter as vendas e o consumidor conta moeda para encher o tanque, especialistas do mercado estimam que o preço da gasolina está com defasagem de 8% a 9%. Ou seja, o setor aposta em novo reajuste por parte da Petrobras.

Por outro lado, Bolsonaro sente a pressão dos aliados para segurar o preço do combustível para evitar degaste ainda maior nas eleições deste ano. Ciente do desgaste da política de preços, os adversários, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Ciro Gomes (PDT) já deixaram claro que vão mudar a política de preços.

E afinal de contas, quem vai decidir, será o consumidor e eleitor.