Promoção também deve ter correção na Capital, onde o menor valor tem ficado em torno de R$ 6,27 (Foto: O Jacaré)

Sem aumento no lucro dos postos nem elevação na alíquota do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), o preço da gasolina deve ter o primeiro aumento do ano em Mato Grosso do Sul. A Petrobras anunciou reajuste de 4,85% no combustível a partir de amanhã, o primeiro ano. O litro do óleo diesel terá alta de 8,08%.

O aumento ocorre após a queda de R$ 0,10 no preço da gasolina nas refinarias em dezembro do ano passado, uma espécie de “presente de Natal” após o aumento de 68% em 2021, e marca a manutenção da política de preços pelo presidente Jair Bolsonaro (PL). Os derivados do petróleo vão acompanhar o preço do mercado internacional e da variação do dólar.

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Com a primeira correção do ano, o preço médio da gasolina em Mato Grosso do Sul pode saltar dos atuais R$ 6,408 para R$ 6,71. A redução de sete centavos no preço durou apenas um mês. Conforme pesquisa da ANP (Agência Nacional do Petróleo), com a redução de R$ 0,10 na refinaria, o preço ao consumidor passou de R$ 6,478 para R$ 6,408 entre o primeiro e o último dia de dezembro.

Nas cidades pesquisadas pela ANP, que inclui apenas Campo Grande, Dourados e Ponta Porã, o maior valor deverá saltar de R$ 6,897 para R$ 7,20. Em algumas cidades, o preço da gasolina caminha para ficar em torno de R$ 8.

O novo aumento é reflexo do anúncio da Petrobras de elevar o preço na refinaria de R$ 3,09 para R$ 3,24 a partir desta quarta-feira (12). “Após 77 dias sem aumentos, a partir de amanhã 12/01/2022, a Petrobras fará ajustes nos seus preços de venda de gasolina e diesel para as distribuidoras”, informou a estatal em comunicado ao mercado.

O litro do óleo diesel terá correção de R$ 0,27 (8,08%), passando de R$ 3,34 para R$ 3,61 nas refinarias. O combustível sobe após o fracasso da greve dos caminhoneiros, que ensaiaram greve nacional, mas recuaram para não provocar desgaste para Bolsonaro.

No Estado, o preço do diesel passará dos atuais R$ 5,259 para R$ 5,67, em média, considerando a correção de 8,08%. Contudo, o repasse ao consumidor deverá ser menor por causa da concorrência entre os postos de combustíveis.

Desde maio de 2018, quando houve a greve nacional dos caminhoneiros, a alíquota do ICMS sobre o diesel é de 12%. Na época, Reinaldo Azambuja (PSDB), sob pressão, decidiu cumprir a promessa de campanha e voltar a reduzir o tributo. Já o ICMS sobre a gasolina é de 30% desde o início de 2020.

“Esses ajustes são importantes para garantir que o mercado siga sendo suprido em bases econômicas e sem riscos de desabastecimento pelos diferentes atores responsáveis pelo atendimento às diversas regiões brasileiras: distribuidores, importadores e outros produtores, além da Petrobras”, justificou a companhia.

“Dessa forma, a Petrobras reitera seu compromisso com a prática de preços competitivos e em equilíbrio com o mercado, acompanhando as variações para cima e para baixo, ao mesmo tempo em que evita o repasse imediato para os preços internos, das volatilidades externas e da taxa de câmbio causadas por eventos conjunturais”, explicou, deixando o ônus da oscilação para o consumidor.

O aumento dos combustíveis em ano eleitoral deve manter o desgaste do presidente da República, que vai buscar a reeleição. Bolsonaro trocou o presidente da Petrobras em abril do ano passado para mudar a política de preços. No entanto, o atual presidente, general Joaquim Silva e Luna, já reafirmou, para desgosto do presidente, que não vai mudar a política que tanto desagrada o consumidor.

Bolsonaro nomeou general para segurar preço dos combustíveis, mas Joaquim Luna mantém política de paridade com o mercado internacional (Foto: Arquivo)