Major Carvalho vira um fenômeno do crime, conforme a PF: ele estaria usando a covid-19 para lavar dinheiro do tráfico (Foto: Arquivo)

Acusado de ser um dos maiores narcotraficantes do mundo, o ex-major da Polícia Militar, Sérgio Roberto de Carvalho, o major Carvalho, usou a importação de máscaras e testes para a covid-19 para lavar dinheiro do tráfico de cocaína. A suspeita começou a ser investigada pela Polícia Federal a partir de mensagens encontradas no telefone celular da irmã do criminoso na Operação Interprise.

Conforme o jornalista Josmar Jozino, do Uol, a PF suspeita que o major seja o proprietário de uma carga de 10 milhões de máscaras importadas da China em junho do ano passado. O material chegou em cargueiro com capacidade para 400 toneladas, que pousou no Aeroporto Internacional de Florianópolis (SC).

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O “Escobar brasileiro” passou a adquirir máscaras de proteção facial, testes para detectar o coronavírus e termômetros após ter contraído a covid-19. Em uma das conversas com a irmã, Lucimara de Carvalho, 56, ele cogita comprar os produtos chineses para vender nos Estados Unidos.

Carvalho enviou para a irmã print de uma ação cobrando R$ 104,4 milhões do Estado de São Paulo pelo cancelamento de nota de empenho para comprar 36 milhões de máscaras. O governador João Doria (PSDB) teria cancelado a compra porque houve atraso na entrega dos materiais.

O narcotraficante teria enviado para a irmã imagens do Boeing 747-400F taxiando no aeroporto catarinense. De acordo com Jozino, um avião deste porte não passava por Florianópolis há mais de 25 anos.

Preso e condenado por tráfico de cocaína em Mato Grosso do Sul, major Carvalho exerceu funções importantes na Polícia Militar até ir para a reserva e ser expulso da corporação. No entanto, ele ainda briga na Justiça para voltar a ter direito a aposentadoria de R$ 11 mil por mês.

Atualmente, ele é apontado pela Polícia Federal como um dos maiores narcotraficantes do mundo. Carvalho é acusado de ter movimentado R$ 2,2 bilhões na venda de 45 toneladas de cocaína para países como Portugal, Espanha, Bélgica, França, Itália, Holanda e Alemanha. Ele chegou a usar nome falso e foi dado como morto pela Justiça espanhola.

Lucimara teria sido indiciada pela PF por lavagem de dinheiro. A defesa dela nega qualquer envolvimento com o tráfico internacional de drogas do irmão.