Policiais foram, às ruas de Dourados para cumprir 18 mandados de busca e apreensão (Foto: Cido Costa/Dourados Agora)

Os políticos de Dourados não aprendem ou mantém os maus costumes na gestão do dinheiro público apesar da Polícia Federal e do Ministério Público manter ofensiva contra a corrupção na cidade, a segunda maior do Estado, desde 2010. Nesta quinta-feira (18), operação mira a líder do prefeito Alan Guedes (PP) na Câmara Municipal, a vereadora Daniela Hall (PSD) e mais 28 candidatos a vereador por fraude na prestação de contas à Justiça Eleitoral.

Policiais federais foram às ruas para cumprir 18 mandados de busca e apreensão na Operação “A Verdade Vos Libertará”. Eles investigam crimes eleitorais cometidos nas eleições do ano passado. Única vereadora eleita na chapa do PSD, Daniela declarou ter gasto apenas R$ 9.933,03 para ser eleita no município, o segundo maior colégio eleitoral do Estado.

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Dos 29 candidatos a vereador pelo PSD em Dourados, 14 informaram à Justiça Eleitoral que não arrecadaram nem gastaram nada na campanha eleitoral. Outros nove informaram gastos irrisórios, de R$ 14 a R$ 428. Apenas dois teriam obtido receita de R$ 3 mil a R$ 5 mil.

A PF apura a suspeita de falsidade ideológica na prestação de contas eleitorais. O Campo Grande News informou que a denúncia foi feita pelo candidato a vereador Júnior do Nascimento Leiva (PSD), que declarou zero na campanha e obteve 140 votos.

Em depoimento à promotora Cláudia Loureiro Ocáriz ALmirão, ele contou que Daniela Hall orientou os candidatos a não declarar os valores disponibilizados pelo partido na campanha. Oficialmente, apesar de ser um dos maiores partidos do País, o PSD não teria repassado fundo eleitoral nem partidário para os candidatos em Dourados.

“Esse dinheiro que está sendo passado, o contador já declarou zero, ou seja, o dinheiro que recebemos para a campanha não era nem do Fundo Eleitoral e nem do Fundo Partidário”, denunciou o candidato. A suspeita é de que eles tenham turbinado o caixa dois na campanha do ano passado, que é proibido por lei.

Os policiais federais estiveram no gabinete e na casa da líder do prefeito. Eles teriam apreendidos documentos e telefones celulares da parlamentar e de dois assessores. Os mandados foram cumpridos por determinação da Justiça Eleitoral.

Além dos 19 candidatos que declararam gasto zero, o PSD teve mais nove que declararam gastos. Valdelice Machado declarou R$ 14, o menor. O maior foi feito por Paraguai da Borracharia, nome de Rosalino Benites, que teve R$ 5 mil doados pelo deputado estadual Londres Machado (PSD). O empresário Sady Martins Silveira declarou R$ 3.922.

Outros gastos foram irrisórios, como os declarados por Diomar Caiuá (R$ 428), Felipe (R$ 240), Neri do Itahum (R$ 220), Reginaldo Teixeira (R$ 120), Terrinha da Garagem (R$ 240) e Zé Dalto (R$ 574).

“O nome da operação ‘A VERDADE VOS LIBERTARÁ’ faz alusão à natureza do crime investigado, ou seja, prestação de declarações falsas à Justiça Eleitoral”, informou a PF, sobre a denominação da ofensiva de hoje.

Desde 2010, quando houve a deflagração das operações Uragano e Owari, que levou à cadeia o prefeito, o vice-prefeito, o presidente da Câmara e nove vereadores, a PF faz plantão na porta dos políticos de Dourados. E os escândalos não param, algo só comparado ao Rio de Janeiro.

PF recorreu a um bordão semelhante a usada pelos bolsonaristas para dar nome a operação: conhecereis a verdade e a verdade vos libertará (Foto; Cido Costa/Dourados Agora)