Wander Medeiros diz que Rachel tem competência, altivez e autonomia para representar os advogados (Foto: Divulgação)

Debandada de integrantes da atual administração da OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Mato Grosso do Sul) marcou o início oficial das eleições da entidade. Dirigentes defendem a alternância de poder e a mudança na gestão da Ordem, que estaria se afastando das reais necessidades dos 15 mil advogados inscritos no Estado. A maioria decidiu trocar o candidato Bitto Pereira, da situação, por Rachel Magrini, de oposição.

Atual presidente da entidade, Mansour Elias Karmouche, considerou o movimento natural na política. “Faz parte do fluxo e refluxo”, minimizou. No entanto, o dirigente procurou contestar cada um dos desertores do seu grupo, que inclui desde a discordância da composição da chapa, a escolha do candidato até o não cumprimento de acordo.

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O ápice da debandada ocorreu na semana passada com a publicação de vídeo nas redes sociais pelo advogado Gervásio Alves de Oliveira Júnior, vice-presidente nos dois mandatos de Mansour. “Não posso me manter calado com claudicância dos interesses da advocacia”, afirmou, sobre a decisão de tornar público o rompimento com o candidato da situação.

De acordo com Oliveira, a diretoria deixou de defender os interesses dos advogados e não vem praticando o que se prega. Após integrar o grupo de Karmouche por seis anos, ele anunciou que não apoiará o candidato da situação, Bitto Pereira.

“A minha recusa em apoiar a chapa da situação, mesmo fazendo parte da atual gestão, se deve ao fato da OABMS ter se distanciado das reais necessidades da advocacia, estando cada vez mais perdendo a sua essência, que é lutar em prol da Classe, e isso não estava mais acontecendo”, justificou a representante da 21ª Subseção de São Gabriel do Oeste, Célia Regina Bernardo da Silva. Ela é candidata asecretária-geral adjunta na chapa de Rachel Magrini.

“Ademais, o candidato Bito foi escolhido para disputa à revelia da maioria do grupo, que não teve oportunidade de discutir ou apresentar outros possíveis nomes para a eleição. Ressalto que o mesmo é Conselheiro Federal há seis anos e jamais participou do Colégio de Presidentes, nada trouxe ou acrescentou para o interior da nossa OABMS, tanto é que a maioria nem o conhecia”, cutucou. “A OABMS necessita de uma profunda mudança, pra retornar a sua essência”, explicou.

A mesma opinião tem o atual conselheiro federal Wander Medeiros Arena da Costa, que disputa a reeleição, mas na chapa de Rachel Magrini. Ele defende a oxigenação no comando da instituição. “A troca de comando nos poderes faz bem à nossa instituição”, justificou-se.

Para Costa, houve a personificação da OAB/MS uma única pessoa. “A Ordem não pertence a ninguém”, criticou. Na sua opinião, a instituição precisa ser presidida por uma pessoa com autonomia e altivez, que não seja submissa a um grupo. “A pessoa precisa tem competência e autonomia. A Rachel tem capacidade para representar os advogados, é dona do próprio escritório, tem uma história de vida que encanta a todos”, elogiou.

Eclair Nantes, atual secretária-geral adjunta, é candidata a conselheira federal na chapa de oposição (Foto: Divulgação)

A atual secretária-geral adjunta, Eclair Nantes, também trocou o candidato da situação pela de oposição. Ela é candidata a conselheira federal na chapa de Rachel Magrini.

A debandada não preocupa o atual presidente da OAB, que classificou a mudança como normal. Como exemplo, ele contou que fez parte do grupo de Carmelino Rezende e Carlos Marques, que já foram presidentes da entidade e estão com Rachel, por mais de 10 anos. Também integrou a gestão de Fábio Trad, atual deputado federal.

Em seguida, aproveita para criticar os integrantes de oposição. “Estou lá (na presidência) porque eles abandonaram a OAB”, acusou, fazendo referência a reação do grupo, que abandonou os cargos em protesto contra o antecessor, Júlio César de Souza, na época do imbróglio envolvendo o ex-prefeito Alcides Bernal (PP).

Sobre a Gervásio, Mansour diz que ele não concordou com a composição da chapa. Já em relação a Eclair, ela não aceitou o nome de Bitto Pereira, que teria sido definido com base em pesquisa.

Em relação a Wander Medeiros, o presidente da OAB/MS diz que ele não cumpriu acordo de revezar com Afeife Mohamad Hajj como representante de Dourados. No entanto, Wander é candidato a conselheiro federal na chapa de Rachel, enquanto Afeife concorre para ser suplente no Conselho Federal na chapa de Bitto.

Mansour diz que pesquisas apontaram o melhor candidato e mudança é movimento normal na política (Foto: Arquivo)

As eleições da OAB/MS vão ocorrer no dia 19 de novembro deste ano. Os candidatos são Bitto Pereira, da chapa “Mais OAB”, Giselle Marques, da chapa “OAB 4.0 – Mudança de verdade”, e Rachel Magrini, da chapa “Um Novo Tempo para a OAB/MS”.

Apesar de serem maioria entre os advogados, a última vez que uma mulher comandou a Ordem no Estado foi em 1992. Aliás, em 40 anos, apenas uma, Elenice Carille, foi eleita presidente da OAB/MS. Mansour está no poder há seis anos e tenta emplacar o terceiro mandato consecutivo.