Operação SOS-Saúde conta com 112 policiais federais para investigar desvios na saúde em MS (Foto: Divulgação)

Megaoperação da Polícia Federal deflagrou novo escândalo de corrupção na gestão de Reinaldo Azambuja (PSDB). Na manhã desta quarta-feira, a Operação SOS-Saúde investiga o Instituto Gerir, que recebeu R$ 94 milhões do Governo do Estado para deixar em colapso o Hospital Regional Dr. José Simone Netto, de Ponta Porã.

Para cumprir 34 mandados de busca e apreensão em quatro estados, 182 policiais federais e auditores da Receita Federal e da CGU (Controladoria-Geral da União) foram às ruas para apurar os crimes de peculato (desvio de dinheiro público), falsificação de documentos, irregularidade em licitações e organização criminosa.

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“O Inquérito Policial foi instaurado, em 14 de fevereiro de 2019, para apurar diversas irregularidades praticadas por Organização Social (especialmente entre 08/08/2016 a 31/07/2017) que administrava, na época, o Hospital Regional Dr. José Simone Netto, localizado em Ponta Porã/MS”, informou a PF, por meio da assessoria. O contrato foi firmado no segundo ano da gestão de Reinaldo e rescindido em 2019 após a organização social atrasar salário dos profissionais de enfermagem e médicos.

“O esquema criminoso investigado possuía, resumidamente, a seguinte dinâmica: a Organização Social firmou (em 05/08/2016) contrato de gestão com o Governo do Estado do Mato Grosso do Sul, através desse instrumento contratual passou a receber elevados valores com o compromisso de gerenciar o Hospital Regional de Ponta Porã/MS; entretanto, valia-se de diversos subterfúgios para desviar os recursos (que deveriam ser aplicados na área da saúde) em proveito de empresas vinculadas aos próprios dirigentes da Organização Social”, pontua.

Com a operação desta quarta-feira, a gestão de Reinaldo passa a fazer parte do grupo de administrações estaduais investigadas por irregularidades nos contratos firmados com as OS. O governador do Rio de Janeiro, Wilson Wiltzel (PSC) foi afastado do cargo após investigação da PF que apurou desvios por meio dos contratos com organizações sociais na área de saúde.

A Operação SOS-Saúde mira os gestores do Instituto Gerir e as empresas que receberam irregularmente repasses financeiros e seus respectivos sócios-administradores. Dois contadores e os escritórios de contabilidade também receberam visita dos policiais federais.

“Cabe destacar a amplitude nacional da investigação, pois a Organização Social, muito embora formalmente não possuísse fins lucrativos, cresceu exponencialmente desde a sua fundação (em 2011), passando a administrar diversas unidades de saúde espalhadas por vários Estados da Federação (MS, PB, SP, BA, GO, MT), o que implicou o recebimento de vultosos valores financeiros (quase 1 bilhão de reais entre 2014 e 2019)”, destacou a PF.

“Estão sendo cumpridos, ao todo, 34 (trinta e quatro) mandados de busca e apreensão, em 25 (vinte e cinco) endereços diferentes, dos quais 11 (onze) estão localizados no Estado de São Paulo, 10 (dez) em Goiânia/GO, 3 (três) em Brasília/DF e 1 (um) em Campo Grande/MS, além do sequestro de bem, direitos e valores”, informou, sem detalhar o montante bloqueado pela Justiça Federal.

Os trabalhos contam com a participação de 112 policiais federais, 54 servidores da Receita Federal e 16 da Controladoria Geral da União.

O nome da operação (SOS-Saúde) faz alusão tanto ao principal investigado, que se trata de uma Organização Social (OS) que deveria fazer o correto emprego das verbas públicas destinadas à área da saúde, bem como a socorro (sigla SOS) prestado pelas instituições de controle ao serviço de saúde pública.