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Denúncias não empolgam e participação em ato contra Bolsonaro cai pela metade

Edivaldo Bitencourt e Sandra Luz
Cerca de 1,5 mil pessoas participaram da manifestação neste sábado (Foto: Sérgio Souza Júnior/Divulgação)

As denúncias de suposta corrupção na compra de vacina contra a covid-19 pegaram fogo em Brasília, mas não empolgaram a manifestação contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) neste sábado (3) em Campo Grande. Organizadores estimaram que 1,5 mil pessoas participaram da 2ª passeata no Centro da Capital, metade do público estimado na primeira manifestação, realizada no dia 19 de maio deste ano.

Integrante da organização e representante do Sista-UFMS (Sindicato dos Técnicos Administrativos da Universidade Federal), Cleo Gomes, apontou três fatores para a queda no número de participantes: as férias escolares, a antecipação em cima da hora e a ausência das entidades dos professores, como a Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação). As organizações mantiveram o ato do dia 24.

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Cerca de 1,5 mil manifestantes saíram da Praça do Rádio e percorreram as principais vias centrais com gritos de guerra e canto, como “Bolosonaro, genocida”. Cerca de 20 sindicatos, associações e entidades estudantis participaram do protesto.

De acordo com Victor Prado, da organização, o ato foi contra o genocídio e o Governo Bolsonaro. O grupo tem considerado genocídio as mais de 513 mil mortes causadas pela pandemia no Brasil em decorrência da atuação do presidente da República, que demorou para comprar a vacina e fez campanha contra as medidas de prevenção, como uso de máscaras e distanciamento social. “Fomos pedir vacina e comida no prato”, afirmou. “A gente está sendo assassinado dentro de casa, é preciso vir para as ruas para lutar pelos nossos direitos”, afirmou.

A participação ficou aquém da expectativa dos organizadores. Nesta semana dois fatos fizeram barulho. O primeiro foi a revelação dos irmãos Miranda, de que avisaram Bolsonaro do superfaturamento na compra da vacina Covaxin, mas o presidente ignorou a denúncia. Inicialmente, Bolsonaro reagiu dizendo que não havia corrupção no Governo e minimizou a denúncia. Na última versão, o presidente disse que são 22 ministérios e não tem como controlar todos os atos. O Governo suspendeu a compra da vacina indiana.

A segunda foi a revelação de que um diretor do Ministério da Saúde teria exigido US$ 1 de propina por cada dose comprada pelo Governo. O governo demitiu Roberto Dias. A CPI da Covid do Senado iniciou a apuração das duas denúncias.

Essas denúncias levaram o movimento a antecipar o protesto contra Bolsonaro do dia 24 para este sábado. De acordo com Cleo Gomes, o objetivo é pedir que o Governo caia de uma vez. “Basta de genocídio, baste de corrupção”, defendeu a sindicalista.

Os índios também se juntaram ao protesto por causa do novo marco proposto por Bolsonaro. De acordo com Genivaldo Antônio Santos, da aldeia terena Córrego do Meio, em Sidrolândia, a nova legislação vai dificultar a demarcação de terras. Cerca de 40 índios participaram da manifestação, que ele classificou como “histórica”.

Apesar da queda na participação, os organizadores não desanimaram e mantiveram o protesto previsto para o último sábado deste mês.

Índios reforçaram protesto por causa da proposta que dificulta demarcação de terras indígenas (Foto: Divulgação)
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Especial para O Jacaré

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