Ato contra Governo fixou cruzes em frente à UFMS para lembrar as 459 mil mortes causadas pela covid-19 no Brasil (Foto: Sérgio Souza Júnior/CUT)

O protesto contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e cortes na educação reuniu, na manhã deste sábado (29), aproximadamente mil pessoas em frente a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). Além de pedir vacina, auxílio emergencial de R$ 600 e o impeachment do presidente, o grupo colocou cruzes para lembrar as 459 mil mortes causadas pela covid-19 no Brasil.

Críticos de Bolsonaro por ignorar a pandemia e promover aglomerações no País, o grupo acabou realizando o ato no dia em que a pandemia bateu recorde de 3 mil casos em Mato Grosso do Sul. Aliás, o coronavírus foi o motivo da ausência dos estudantes e professores da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), que teriam sido ameaçados de processo pelo Ministério Público Estadual para não participar do protesto.

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“No entanto, o Bolsonaro teve aqui, aglomerou, não usou máscara, mas ninguém fez nada”, criticou o presidente da ADUFMS (Associação dos Docentes da UFMS), Marco Aurélio Stefanes, que lamentou a postura do MPE em relação ao protesto contra o presidente. Ele disse que o movimento não foi irresponsável como Bolsonaro.

Stefanes explicou que foi montada uma comissão de biossegurança e todas as medidas de prevenção foram adotadas, como o distanciamento social de um metro, uso de máscaras e disponibilização de álcool gel 70º para os participantes. Ele estimou que 2 mil pessoas participaram do ato, enquanto a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e a Frente Fora Bolsonaro estimaram cerca de mil.

Os movimentos protestaram contra o corte de 18% no orçamento da UFMS neste ano. De acordo com Marco Aurélio, houve o corte de R$ 26,5 milhões, sendo R$ 17,5 milhões do custeio, R$ 6 milhões em investimentos e R$ 3 milhões da assistência estudantil. Além disso, houve o corte de 25% a 30% nas bolsas do CNPq, destinadas à pesquisa e aos estudantes da pós-graduação.

O grupo protesto contra as ações de Bolsonaro no combate à pandemia. Para o presidente da ADUFMS, o Brasil possui capacidade e a melhor estrutura de vacinação no mundo. No entanto, a vacinação contra a covid-19 está muito lenta, apesar da capacidade dos laboratórios da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e do Instituto Butantan de produzirem 3 milhões de doses por dia.

Stefanes cita as críticas de Bolsonaro à vacina produzida em São Paulo e as agressões aos países, como a China, que levaram ao atraso na entrega dos insumos. “Perdemos 20 dias de vacinação, quantos não morreram por falta de insumo?”, lamentou o dirigente.

Marco Aurélio ainda citou a insegurança alimentar, problema de 50 milhões de brasileiros, e do desemprego, que, segundo ele, atinge 20 milhões de trabalhadores. “A ainda temos a ameaça de morte pela covid”, lamentou.

A manifestação foi considerada um “sucesso” pelo presidente da CUT/MS, Vilson Gregório. Ele acusou o presidente da República de ser “genocida”. “A CPI já provou que o Governo não quer comprar vacina e salvar vidas. Este Governo é da morte do genocídio”, lamentou o sindicalista.

“Deixamos o nosso recado, fora Bolsonaro, vacina para todos, auxílio emergencial de R$ 600, contra a reforma administrativa e contra os cortes na educação que o Governo promoveu nesta semana”, afirmou o coordenador da Frente Fora Bolsonaro em MS, André Lage.

As manifestações contra Bolsonaro voltaram a ganhar força no Estado com a CPI da Covid do Senado, que vem investigando a responsabilidade do Governo Bolsonaro no combate à pandemia. A principal revelação, até o momento, foi que a Pfizer ofereceu 100 milhões de doses, mas foi ignorado pela equipe de Bolsonaro. A empresa chegou a enviar 13 e-mails alertando que redistribuiria a vacina para outros países, mas também acabou não sendo ouvida.

Grupo responsabilizou Bolsonaro pelas mortes e o chamou de “genocida” em faixa (Foto: Marco Aurélio Stefanes/ADUFMS)