Usuários são quase unânime em considerar o transporte coletivo ruim ou péssimo (73,3%) e caro (88,17%) ( Foto: Arquivo)

Levantamento do Instituto Ranking mostra que 70,33% dos moradores de Campo Grande apoiam a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o transporte coletivo. Até o momento, apenas 12 dos 29 vereadores assinaram o requerimento proposto por Marcos Tabosa (PDT) para apurar as denúncias contra o Consórcio Guaicurus, vencedor da licitação em 2012.

Esta é a segunda vez que o legislativo tenta criar CPI para investigar as empresas da poderosa família Constantino. Na legislatura passada, o pedido feito pelo vereador Vinicius Siqueira (PROS) teve o apoio de apenas sete parlamentares e acabou sendo sepultada por falta de apoio no legislativo.

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Como houve renovação de 18 das 29 vagas na Câmara Municipal, a criação da CPI virou teste de fogo de que realmente houve mudança no parlamento. Além do serviço precário e ruim, o consórcio é alvo de denúncia de fraude na licitação realizada na gestão de Nelsinho Trad (PSD). Conforme delação premiada feita no Gaeco do Paraná, uma empresa de Curitiba foi convidada para simular concorrência no certame vencido pelas mesmas empresas que operam há décadas na Capital.

Conforme sondagem do Ranking com 1,2 mil eleitores entre os dias 21 e 24 deste mês, a criação da CPI tem o apoio de 70,33%. Apenas 18,25% são contra a criação da CPI do Transporte Coletivo, enquanto 11,42% não responderam ou não souberam opinar.

Para 73,33% dos campo-grandenses, o ônibus urbano é ruim ou péssimo, enquanto apenas 4% o consideram como ótimo ou bom e 15,5% avaliam como regular. Isso mostra que a reprovação do serviço é geral na cidade, enquanto a maioria dos vereadores ignora as queixas dos usuários do transporte coletivo. Dos 29 parlamentares, 17 não assinaram o requerimento da CPI.

Para 88,17% dos moradores da Capital, o valor da tarifa do transporte coletivo não é justo, enquanto 5,33% aprovam o valor de R$ 4,20. Esse preço está defasado, conforme o consórcio, porque a prefeitura não incluiu o ISS (Imposto Sobre Serviços) no cálculo. O grupo luta na Justiça para elevar o valor.

A propagação da covid-19 também é considerada um ponto negativo nos ônibus urbanos, que ignoram o distanciamento social e transportam passageiros amontoados nos horários de pico. Para 74%, é grande o nível de contaminação pelo novo coronavírus no transporte coletivo, enquanto 20,42% o consideram médio e 3,25%, pequeno.

Até o momento, a queixa da população só foi ouvida por 12 vereadores, que assinaram o requerimento da CPI: Camila Jara (PT), Professor André Luís (Rede), Coronel Alírio Villasanti (PSL), Clodoilson Pires, Ronilço Guerreiro e Zé da Farmácia, do Podemos, Delei Pinheiro (PSD), Valdir Gomes e Tiago Vargas, do PSD, Willian Maksoud (PTB), Edu Miranda (Patriota), e o próprio Tabosa.

A proposta não teve o apoio de 17 parlamentares, como o presidente da Câmara, Carlão (PSB), o veterano João Rocha (PSDB), Ademir Santana (PSDB), Ayrton de Araújo (PT), Otávio Trad (PSD), Papy (SD) e de novatos, como Sandro Benites (Patri) e Silvio Pitu (DEM). O requerimento será apresentado no segundo semestre, após o recesso de inverno.