Adair da Mata confirma conversa com Raimundo Nonato de que prefeitura seria loteada após cassação de Bernal (Foto: Reprodução)

A polícia deve instaurar inquérito para apurar fraude em declaração incluída na ação por improbidade administrativa da Operação Coffee Break. Em depoimento no julgamento histórico na 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, na quarta-feira (26), servidor público manteve o depoimento de que houve acerto entre Gilmar Olarte (sem partido) e Nelsinho Trad (PSD) para cassar o prefeito Alcides Bernal (Progressistas) e dividir a administração da Capital.

Adair Souza da Mata, que foi assessor do PSL e do ex-vereador Alceu Bueno, também reafirmou que o empresário João Amorim, cunhado de Nelsinho na ocasião e acusado de ser sócio oculto da Solurb, teria destinado R$ 1 milhão para pagar 21 vereadores e garantir o afastamento do progressista.

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Ao ser questionado pelos promotores Adriano Lobo Viana de Resende e Humberto Lapa Ferri, a testemunha manteve as revelações feitas no depoimento prestado na 3ª Delegacia da Polícia Civil. Na ocasião, ele disse que Raimundo Nonato de Carvalho, um dos autores do pedido de impeachment, disse que intermediou reunião em sua casa entre Nelsinho e Olarte. Pelo acordo, eles iriam dividir a gestão da prefeitura.

“Eles acertaram a criação de cinco subprefeituras”, disse a testemunha. O empresário João Amorim indicaria o secretário municipal de Obras. Ao assumir a gestão após a cassação de Bernal, Olarte manteve na pasta o engenheiro Semy Ferraz, que foi presidente da Sanesul na gestão de Zeca do PT.

De acordo com Adair da Mata, apenas um dos secretários listados por Nonato acabou não sendo nomeado para integrar o primeiro escalão de Gilmar Olarte. O filho de Raimundo, Enéias Carvalho foi nomeado para presidir a Emha (Agência Municipal de Habitação). “Houve articulação pesada para cassar o Bernal”, reafirmou o servidor.

Em seguida, ao ser confrontado com o documento juntado pela defesa de Raimundo Nonato, no qual alega não ser verdade o teor do depoimento na 3ª Delegacia de Polícia, Adair foi taxativo: “Jamais fiz isso. Se existe isso, é fraude”. A declaração teria sido feita no dia 17 de outubro de 2016. O reconhecimento de firma da assinatura ocorreu no dia 11 de janeiro de 2017.

O advogado de defesa de Nonato, Tie Oliveira Hardoim, insistiu na declaração, já que houve o reconhecimento de firma da assinatura. Adair insistiu que se quisesse mudar o depoimento, teria feito quando Raimundo Nonato lhe ofereceu R$ 50 mil no escândalo envolvendo o ex-vereador Alceu Bueno. Mata insinuou que pode ter sido vítima de falcatrua. “Eles faziam várias coisas no partido”, acusou.

Aos promotores, ele ressaltou que não enviou nenhuma declaração para Raimundo Nonato de Carvalho. “Posso afirmar categoricamente”, enfatizou. O MPE pediu a abertura de inquérito para apurar a suspeita de fraude na declaração de Adair Souza da Mata. O advogado de Raimundo prometeu anexar ao processo a declaração original.

Ao ser confrontado por advogado, testemunha reafirma sobre declaração: “é fraude, jamais fiz isso (Foto: Reprodução)

Os depoimentos da Coffee Break vão continuar nesta sexta-feira com as seguintes testemunhas:

  • 9h: José Maria dos Santos, Lucivaldo Correia e Luiz Henrique Santos Coelho;
  • 14h: Aurenice Rodrigues Pinheiro Pilatti e Renata Guedes Alves Alegretti.