Bolsonaro e o milionário dono da Havan andam de moto sem capacete (Foto: Arquivo)

O economista e ensaísta Albertino Riberto compara, de forma crítica e ácida, os seguidores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e Miguelite, personagem das tirinhas em quadrinho de Malfada, personagem do cartunista argentino Quino. “Na turma de Bolsonaro existem muitos Miguelitos, porém eles não andam na pontinha dos pés, mas fazem muito barulho, inclusive, buzinam em frente a hospitais”, diz.

“Essa lógica quando é transportada da mente inocente para a adulta e cheia de preconceitos, pode custar caro e tirar vidas inocentes”, diz no artigo “Miguelito e o mundo paralelo dos bolsonaristas”.

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“Vejam a lógica na nebulização por Hidroxicloroquina que uma médica bolsonarista realizou em um paciente em Manaus. Como é possível uma médica abrir mão de sua racionalidade científica e submeter um paciente a um tratamento artesanal e perigoso?”, questiona.

“Parece que o apelido de Messias penetrou, com bom adubo, suas mentes já férteis e eles acreditam realmente que o capitão seja o enviando de Deus, mas só para o Brasil”, conclui.

Confira o artigo:

“Miguelito e o mundo paralelo dos bolsonaristas

Albertino Ribeiro (*)

Miguelito é um personagem das tirinhas da Mafalda, criação do cartunista argentino Joaquim Salvador Lavado Tejón. Quino, como era conhecido o artista, morreu ano passado, mas as tirinhas da Malfada ficarão por muito tempo na cabeça dos seus leitores.

Enquanto Mafalda tem um raciocínio complexo e faz questionamentos inteligentes, Miguelito – que é uma boa pessoa embora um pouquinho egoísta – tem a mente binária e sua lógica é simplória; leva tudo ao “pé da letra”, algo esperado de uma criança com cinco anos de idade. É importante frisar que ele não é desprovido de lógica; ela existe, mas é frágil.

Para termos uma ideia, em uma das famosas tirinhas, Mafalda explica para Miguelito que no Brasil enquanto é dia, lá no Japão é noite. Depois de alguns instantes, o menino aparece andando na pontinha dos pés e, quando indagado, responde para as pessoas não fazerem barulho porque tem gente dormindo do outro lado da terra. Tem lógica, não tem?

Na turma de Bolsonaro existem muitos Miguelitos, porém eles não andam na pontinha dos pés, mas fazem muito barulho, inclusive, buzinam em frente a hospitais. Essa turma, a exemplo do seu líder, possui uma lógica bruta que precisa de muita lapidação e talvez a psicanálise seja a ferramenta mais indicada.

Diferente do hermanito argentino, essa turma não é inocente, pois, tutelados por Olavo de Carvalho – o rei da falácia – vivem em um mundo paralelo.

Perigo

Essa lógica quando é transportada da mente inocente para a adulta e cheia de preconceitos, pode custar caro e tirar vidas inocentes. Vejam a lógica na nebulização por Hidroxicloroquina que uma médica bolsonarista realizou em um paciente em Manaus. Como é possível uma médica abrir mão de sua racionalidade científica e submeter um paciente a um tratamento artesanal e perigoso?

Como aconteceu?

A médica amazonense triturou um comprimido de hidroxicloroquina, misturou ao soro fisiológico e colocou-o para inalação do paciente. Existe alguma lógica? Sim, existe (chegar mais rápido ao pulmão e atacar a infecção), porém foi uma lógica a moda Miguelito que provocou lesão no pulmão do doente e este evoluiu a óbito.

Existem outras “lógicas” defendidas por esse povo que possuem verniz de verdade; vou destacar só mais uma.  Podemos citar, por exemplo, a afirmação que a cloroquina e a ivermectina não estão sendo recomendadas porque são medicamentos baratos e a indústria farmacêutica não quer que estes sejam utilizados. O motivo: perderão muito dinheiro, pois deixarão de vender remédios mais caros.

(*) Albertino Ribeiro é economista, ensaísta e analista de informações socioeconômicas do IBGE

Embora todos os estudos sérios realizados no mundo tenham comprovado que a cloroquina e seu derivado não são eficazes, na mente esquizoide desse povo, Bolsonaro é o único iluminado no planeta que está lutando contra os poderosos laboratórios farmacêuticos. É uma estória bem cativante para cabeças de Miguelito; tenho que concordar.

Parece que o apelido de Messias penetrou, com bom adubo, suas mentes já férteis e eles acreditam realmente que o capitão seja o enviando de Deus, mas só para o Brasil. Nessa lógica Deus é brasileiro, mas também é egoísta.”