Para fechar cidade, prefeito optou por antecipar cinco feriados (Foto: Álvaro Rezende/Correio do Estado)

O prefeito Marquinhos Trad (PSD) buscou saída para fechar tudo em Campo Grande sem decretar o polêmico lockdown: antecipou cinco feriados para fechar tudo por uma semana no esforço para conter a pandemia da covid-19. A expectativa é de que a partir de segunda-feira (22), apenas serviços essenciais funcionem na cidade.

Bares e restaurantes, que já estavam com o funcionamento comprometido com o toque de recolher das 20h às 5h decretado pelo governador Reinaldo Azambuja (PSDB), vão continuar fechados. Os detalhes do decreto devem ser divulgados ainda nesta sexta-feira (19).

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Mesmo a contragosto, diante do colapso da economia, empresários manifestaram publicamente apoio à medida. “Momento é extremamente tenso, doloroso e complicado, com perdas e mais perdas de pessoas amadas. Não existem mais leitos. A falta da vacina complicou muito”, lamentou Adelaido Vila, presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas.

Ele explicou que a situação dos empresários também é dolorosa, com queda no faturamento e aumento do endividamento. Vila lamentou que enquanto bares e restaurantes ficam fechados, parte da população ignora as recomendações de distanciamento social e promove aglomerações clandestinas, por meio de festas e reuniões nas residências. O dirigente cobrou mais fiscalização e consciência das pessoas.

“Após a reunião foi visto que são necessárias medidas que visem à saúde pública da nossa cidade. Por conta disso, decidimos antecipar os dias de feriado, assimo como muitas capitais estão fazendo, sem prejuízo ao comércio e salvando vidas”, justificou Marquinhos. A mesma medida foi adotada pelo prefeito Bruno Covas (PSDB), de São Paulo.

O prefeito vai antecipar os feriados de Tiradentes (21 de abril), Corpus Christi (3 de junho), aniversário de Campo Grande (26 de agosto), Independência (7 de setembro) e Proclamação da República (15 de novembro) para a próxima semana e garantir a suspensão das atividades não essenciais, como serviço público, comércio, empresas e escritórios.

“Não há necessidade de lockdown, e sim de prazo para evitar o colapso. Acontece que muits das pessoas que ocupam leitos de UTI não vêm com a Covid, a gente evitando a circulação de pessoas e diminuindo o horário, principalmente da noite, vai dar condições para que a gente cuide de todos que necessitam”, explicou o prefeito, conforme registro do Campo Grande News.

O anúncio da antecipação do feriado, feita de forma clara e pública pelo prefeito na tarde de ontem, levou aos oportunistas e sem caráter de plantão a espalhar o caos por meio das redes sociais e grupos de aplicativos. Vários compartilharam áudios indicando que a Capital seguiria o exemplo de cidades do interior de São Paulo, que fecharam tudo no fim de semana, como supermercados, postos de gasolina e conveniências.

O boato não só sabota os esforços das autoridades em buscar meios de controlar a pandemia, como aumenta o pânico na população e poderia levar à superlotação dos estabelecimentos comerciais.

A antecipação dos feriados teve o apoio da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes. “Não é a ideal, mas foi aonde deu para chegar. Pelo menos com a antecipação dos feriados a gente consegue negociar com o funcionário, se esses dias serão pagos ou contabilizados no banco de horas”, afirmou, em entrevista ao Midiamax, o presidente da entidade, Juliano Wertheimer.

“É uma decisão que não nos agrada, mas a gente entende que o momento é complicado. Essas ações são para reduzir o contágio, mas tem que ter outras ações para reduzir o impacto no número de leitos”, afirmou o primeiro secretário da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande, Roberto Oshiro.

Boletim divulgado nesta sexta-feira (19) pela Secretaria Estadual de Saúde mostra que Mato Grosso do Sul superou a barreira de 200 mil casos confirmados, com 200.017 pacientes com covid-19. Com mais 36 óbitos, o total de mortes causadas pela pandemia chegou a 3.775 em MS.

Campo Grande está com 80.650 casos e 1.652 óbitos. No Estado, 968 pessoas estão hospitalizadas, sendo 553 em leitos clínicos e 415 em UTI.  A taxa de ocupação é de 110% dos leitos de UTI em nível estadual.