Lockdown volta a ser apontado como única saída para conter pandemia na Capital

Geraldo recomenda fechar tudo na Capital, mas decisão caberá ao prefeito Marquinhos Trad (Foto: Arquivo)

O temível e polêmico lockdown, denominação em inglês para fechar tudo que não seja essencial, voltou a ser apontado como única saída para conter o avanço da pandemia da covid-19 em Campo Grande. A medida é defendida por especialistas e foi recomendada pelo Governo do Estado no Prosseguir (Programa de Saúde e Segurança na Economia).

Com praticamente todos os leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensivo) e até clínicos ocupados nas redes pública e particular, a propagação da doença tem sido maior que os esforço os esforços do poder público para evitar a medida mais drástica.

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O prefeito Marquinhos Trad (PSD) anunciou a ampliação de leitos nos hospitais. A última foi a destinação dos 120 leitos, sendo 30 de UTI, do Hospital do Trauma apenas para atender os pacientes com sintomas da covid-19. Ele também anunciou ampliação de leitos nos demais hospitais, como Santa Casa, Regional, Universitário, São Julião, El Kadri, Pênfigo, Proncor e Clínica Campo Grande.

Ex-diretor do Ministério da Saúde e pesquisador da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), Júlio Croda, defendeu publicamente fechar tudo por 15 dias. “Não teremos capacidade de atender todos, apenas com essa ampliação dos leitos. Sou a favor de um lokdwon real, sem exceções, por pelo menos 15 dias em Campo Grande”, defendeu o especialista.

Ele questionou a eficiência de algumas medidas. “Barreira sanitária não tem menor sentido. Campo Grande está entre as cidades com maior incidência no estado e já possui transmissão comunitária da P1. Não existe respaldo científico para desinfecção. Dinheiro jogado fora. Em nenhum momento foi citado medidas mais restritivas para conter a transmissão como outras cidades estão adotando”, afirmou o professor.

O lockdown já foi adotado em Belém, Curitiba, Belo Horizonte e vários municípios de São Paulo. A capital mineira está no 4º lockdown desde o início da pandemia. O prefeito Alexandre Kalil (PSD) anunciou o último no dia 5 deste mês.

“Nós precisamos que a população nos ajude cumprindo as medidas de biossegurança e evitem aglomerações. A doença avança mais rápido do que conseguimos ampliar os leitos”, lamentou o secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende. Ele defendeu a suspensão das atividades não essenciais em Campo Grande por 15 dias.

A Capital voltou para a fase cinza no mapa do Prosseguir divulgado hoje, que significa grau extremo. Neste caso, a recomendação é suspensão de todas as atividades que não sejam essenciais. No entanto, a decisão caberá ao prefeito Marquinhos Trad (PSD).

O programa colocou a cidade em grau extremo em outras três ocasiões: 16 e 31 de julho e 16 de dezembro do ano passado. No início do segundo semestre, a Defensoria Pública até chegou a ingressar com ação na Justiça para decretar lockdwon, mas houve acordo para ampliar leitos de UTI.

O toque de recolher das 20h às 5h, decretado desde domingo (14) pelo governador Reinaldo Azambuja (PSDB), não foi suficiente para conter o colapso na rede pública de saúde. A secretaria de Saúde diz que 136 pacientes aguardavam vaga em hospitais no Estado, sendo 92 na Capital.

A situação é muito grave e exige responsabilidade de todos, não apenas das autoridades. Médicos travam uma luta desesperadora para salvar vidas, mas a falta de estrutura tem sido o grande desafio.

O momento é delicado e exige a união de todos, empresários, profissionais de saúde e poder público, para encontrar o melhor plano para impedir a perda de mais vidas.

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Publicado por
Edivaldo Bitencourt

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